Costa sobre casos de covid. "Se não cumprirmos [as regras] teremos situações dramáticas"

Primeiro-ministro volta a apontar tendência crescente dos indicadores epidemiológicos do país e a recusar novo confinamento. "Estamos exclusivamente nas nossas próprias mãos", disse.

Portugal passou, este domingo, a barreia das duas mil mortes por causa do novo coronavírus e registou o pior fim-de-semana em número de novos casos de covid-19 desde o início da pandemia. Em reação aos dados epidemiológicos do país, o primeiro-ministro, António Costa, mostrou que estes já eram previsíveis, sem deixar de fazer um alerta: "se não cumprirmos [as regras] teremos situações dramáticas".

Principalmente, numa altura, em que, como Costa reafirmou, "estamos exclusivamente nas nossas próprias mãos". O governante continua a descartar a possibilidade de um novo período de confinamento tal como aconteceu durante o estado de emergência, na primeira fase da pandemia em Portugal. "As famílias e as empresas não aguentariam".

O plano para os próximos tempos assenta assim na responsabilidade individual, sabendo de antemão que é previsível um crescimento das novas infeções no outono e no inverno.

Nas últimas 24 horas, morreram mais dez pessoas por causa do novo coronavírus e foram confirmados mais 904 casos (um crescimento de 1,16% em relação ao dia anterior), de acordo com o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde.

Feitas as contas ao número de diagnósticos apurados este sábado (963 novos casos) e este domingo, constata-se que este foi o fim de semana com o maior número de infetados desde que a pandemia chegou a Portugal, em março. No total, confirmaram-se 1867 infeções nestes dois dias. Sendo que nunca tinha acontecido haver dois dias seguidos com mais de 900 casos.

Ainda no que diz respeito a novas infeções, este domingo é o quarto pior dia desde que o novo coronavírus surgiu em Portugal, seguindo-se ao 10 de abril (1 516 casos), ao 31 de março (1 035 casos) e a este sábado, 3 de outubro (963).

Esta semana termina com a média de novos casos a aumentar, mais uma vez. Nos últimos sete dias foram encontrados, em média, 792 infetados a cada 24 horas. É preciso recuar até ao mês de abril para encontrar sete dias consecutivos com piores resultados.

"Estamos a ter, como é sabido, desde meados de agosto, uma subida constante, em linha com os outros países europeus", continua António Costa.

O primeiro-ministro falou ainda numa "pressão significativa" criada pela propagação do novo coronavírus, que "felizmente" não se traduz, segundo Costa, na falta de resposta do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Isto porque as "infeções são [em geral] de menor gravidade do que no início da crise".

Este domingo, estão internados 682 doentes, ou seja, mais 14 do que no dia anterior. Já nos cuidados intensivos há agora 105 pessoas - menos uma do que na véspera.

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