Costa diz que Elisa Ferreira terá pasta que "corresponde aos interesses de Portugal" na UE

O primeiro-ministro recusou esta quinta-feira revelar qual é a pasta atribuída a Elisa Ferreira na próxima Comissão Europeia, mas assegurou que ela "corresponde aos interesses próprios de Portugal" na União Europeia (UE).

António Costa, que falava à imprensa ao lado de Elisa Ferreira, afirmou que a questão foi tratada por ambos com a presidente da próxima Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, mas que há "um compromisso" de ser a presidente a anunciar.

"A única coisa que posso dizer é que é uma pasta em que seguramente Elisa Ferreira fará um excelente papel e que é uma pasta que corresponde aquilo que são os interesses próprios de Portugal no contexto da UE e do contributo que podemos dar", disse o primeiro-ministro.

António Costa admitiu no entanto que a escolha de Elisa Ferreira, implica, em si, que a pasta será numa área adequada ao perfil da economista.

"O perfil de Elisa Ferreira exclui à partida a probabilidade de ir desempenhar pelouros que, independentemente da sua competência politica, porventura exigiriam outro tipo de competências, como por exemplo a área da justiça, dos assuntos internos, das migrações, para as quais teríamos escolhido uma pessoa com outro perfil", disse.

"No momento próprio Ursula Von der Leyen anunciará", insistiu.

Elisa Ferreira também se escusou a apontar a pasta que irá tutelar em Bruxelas, mas assegurou que "nunca aceitaria uma pasta na qual não sentisse que não tinha desenvolvido as competências e experiencia suficientes".

A atual vice-governadora do Banco de Portugal assegurou que ao longo da vida teve a oportunidade de "desenvolver competências em várias áreas, nomeadamente desenvolvimento regional, ambiente, componente financeira, bancária, macroeconómica", mas que pretende "ser útil" e acredita que há na Comissão "uma colegialidade" que permite "uma troca de influências entre diversos dossiers".

"E na área da economia há imensas sinergias entre tudo aquilo que são parte bancaria, macro, micro, e o impacto que tudo tem nos territórios", disse.

Elisa Ferreira disse-se, por outro lado, "completamente confortável" com o programa da Comissão para os próximos cinco anos e "convencida" de que Ursula Von der Leyen "acredita naquele projeto".

"Tive duas conversas pessoais com a presidente e de facto confirmei que haveria condições para, com uma equipa de pessoas experientes e qualificadas, mas sobretudo, pessoas unidas em torno daquele programa, darmos um salto positivo na agenda europeia e sairmos de uma certa desorientação em que acho que a Europa caiu, sobretudo depois da crise, que perturba muito os europeus e quebrou um pouco essa relação até afetiva dos europeus com o próprio projeto", disse.

António Costa foi ainda questionado sobre Pedro Marques, o ex-ministro do Planeamento e Infraestruturas eleito em maio para o Parlamento Europeu (PE), cujo nome foi o mais recorrentemente referido como provável próximo representante de Portugal na Comissão Europeia, António Costa disse que se trata de alguém que "teria ótimas condições" para exercer esse tipo de funções, mas explicou que o processo de formação da Comissão é complexo e a escolha de uma pessoa se baseia em diferentes fatores, nomeadamente de género e de perfil.

O primeiro-ministro frisou que, nesse processo, a presidente da Comissão tem de ter em conta os vários Estados-membros, as várias famílias políticas e equilíbrios de natureza regional, de género e de perfil dos candidatos, mediante "um diálogo e interação muito grande" com os governos nacionais, que os indigitam. "

"Desde o princípio apoiámos os critérios de Ursula Von der Leyen designadamente quanto ao equilíbrio de género", disse, referindo-se à intenção declarada pela alemã de ter uma Comissão paritária.

"No diálogo que foi estabelecido entre o governo e a presidente eleita foram considerados esses nomes, outros também, e concluímos que a escolha certa para a função certa era Elisa Ferreira", disse.

O primeiro-ministro frisou contudo que Elisa Ferreira "foi uma escolha inteiramente nacional", que resultou de "um trabalho conjunto" com Von der Leyen, mas "não foi uma escolha alemã".