Costa afirma que Governo está unido e rejeita dicotomia entre economia e saúde

O primeiro-ministro recusou a dicotomia entre abertura da economia e combate à epidemia de covid-19 e afirmou que o seu Governo está unido em torno de uma visão de equilíbrio sobre as medidas a adotar.

Esta posição foi transmitida por António Costa em conferência de imprensa destinada a anunciar as novas medidas contra a covid-19 tomadas em Conselho de Ministros no âmbito da prorrogação do estado de emergência.

Questionado sobre o confronto de opiniões entre defensores do primado da economia e setores que pretendem prioridade absoluta ao combate à crise sanitária, o líder do executivo respondeu: "Não existe essa dicotomia".

"A nossa vida é só uma, precisamos de saúde para viver, precisamos de trabalho para viver. Precisamos de empresas a funcionar para podermos viver e, portanto, temos de trabalhar em todas essas dimensões", alegou.

António Costa negou também que esse debate entre economia e saúde atravesse o seu próprio executivo, dizendo que "o seu Governo está unido" em torno de uma visão de combate à covid-19.

De acordo com o líder do executivo, o seu Governo, desde que em setembro declarou o estado de contingência, que "procuraria sempre o melhor equilíbrio possível entre aquilo que é a necessidade de conter a pandemia e afetar o mínimo possível a vida de cada uma das pessoas, a vida da nossa sociedade e da nossa economia".

"O Governo tem procurado um equilíbrio. Torna a mensagem mais difícil? Torna, porque obviamente era muito mais fácil dizer que fica tudo aberto ou que fica tudo fechado. Mas nós não temos de procurar a mensagem mais fácil. Temos de procurar aquilo que é adequado e necessário ao país", respondeu.

Interrogado sobre o facto de o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ter afirmado que não hesitará em propor prorrogações do estado de emergência as vezes que forem necessárias, António Costa referiu que já disse que estes regimes de exceção teria agora "uma natureza distinta" daqueles que vigoraram em março e abril, sendo "menos intenso nas medidas, mas mais extenso na sua duração".

"Era de antever que tivéssemos de prorrogar até termos um tratamento eficaz ou uma vacina que assegurasse nível de imunização suficiente na comunidade portuguesa. Obviamente, não compete ao Governo antecipar-se ao Presidente da República na iniciativa de decretar o estado de emergência, nem substituir-se à Assembleia da República na sua competência de autorização, mas entendo ser realista que tenhamos todos a noção de que, até haver vacina, o problema não está ultrapassado", insistiu.

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