Angola pede cooperação a Portugal no caso Luanda Leaks

Ministério Público angolano já terá emitido uma carta rogatória onde indica as diligências que pretende efetuar em Portugal, segundo o jornal Público.

No dia em que os advogados de Rui Pinto confirmaram ser ele o único autor da fuga de informação que deu origem ao Luanda Leaks, a Procuradoria-Geral da República portuguesa confirmou já ter recebido de Angola, "relativamente à matéria Luanda Leaks", "pedidos de cooperação judiciária internacional em matéria penal".

A confirmação foi enviada na segunda-feira, por escrito, ao jornal Público, depois da visita, na quinta-feira passada, do procurador-geral da República de Angola, Hélder Pitta Grós, com a procuradora-geral, Lucília Gago.

De acordo com o jornal, o Ministério Público angolano já terá emitido uma carta rogatória onde indica as diligências que pretende efetuar em Portugal, e que podem passar pela audição de testemunhas, constituição de arguidos, recolha de elementos documentais e bancários e apreensão de bens.

"Vim pedir ajuda de muita coisa", disse Hélder Pitta Grós, quando questionado se tinha vindo solicitar a colaboração das autoridades portuguesas na reunião.

"No âmbito das nossas relações com a Procuradoria-Geral [da República Portuguesa] viemos aqui para vermos o que faremos este ano", adiantou apenas, em declarações recolhidas pela RTP no aeroporto de Lisboa.

Na quarta-feira, ainda em Luanda, o procurador-geral angolano anunciara que a empresária Isabel dos Santos tinha sido constituída arguida por alegada má gestão e desvio de fundos durante a passagem pela petrolífera estatal Sonangol.

No mesmo dia, Hélder Pitta Grós afirmou que o processo de inquérito, aberto na sequência de uma denúncia do presidente do conselho de administração da petrolífera, Carlos Saturnino, já foi transformado em processo-crime e que várias pessoas foram constituídas arguidas: Isabel dos Santos; Sarju Raikundalia, ex-administrador financeiro da Sonangol; Mário Leite da Silva, gestor de Isabel dos Santos e presidente do Conselho de Administração do BFA; Paula Oliveira, amiga de Isabel dos Santos e administradora da NOS e o diretor do EuroBic, Nuno Ribeiro da Cunha, que foi encontrado morto na passada quinta-feira.

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