"Está em curso a contagem dos votos dos círculos da emigração. Não se perspectiva nenhuma alteração profunda dos resultados eleitorais de domingo e, por isso, chegamos a esta audiência com o senhor Presidente da República sem uma solução de Governo apoiada por uma maioria", disse Pedro Nuno Santos à saída da reunião de cerca de duas horas com Marcelo Rebelo de Sousa, que decorreu no Palácio de Belém, em Lisboa..Para o secretário-geral do PS, "o país precisa de um Governo estável. O PS não tem uma maioria para apresentar"..Pedro Nuno Santos disse que o que se espera é que Luís Montenegro, líder da Aliança Democrática (AD), apresente esta quarta-feira uma solução de Governo estável" durante a audição com o chefe de Estado. .Referiu que o PS será uma oposição "estável, forte e sólida". "O PS será oposição, será a alternativa democrática a um governo da AD". .Declarou, no entanto, que o PS será uma oposição responsável e que o partido está "aberto a entendimentos". .Apesar de não votar "documentos ou iniciativas legislativas sobre matérias com as quais não concorda", o PS também não se oporá a entendimentos "em matérias onde há pontos de vista comuns"..E deu como exemplo de entendimento em matéria de valorização de carreiras na Administração Pública. ."Desde logo, ao longo da campanha, foi notório para todos que havia um largo consenso, que extravasa aliás o próprio PS e a AD, sobre a necessidade de valorizarmos as carreiras e as grelhas salariais de alguns grupos profissionais da administração pública", sublinhou..“Não há razão para arrastarmos os pés nesta matéria", disse. "O Governo deixou uma situação financeira e política que nos permite dar esse passo em frente e o PS quer ser parte dessa solução”, afirmou, referindo-se, por exemplo, a professores, profissionais de saúde, das forças de segurança e oficiais de justiça.."Tendo em conta que pode ser necessário alterar limites de despesa, nós estamos disponíveis para viabilizar um Orçamento retificativo que esteja limitado às matérias de consenso", assegurou. .Pedro Nuno Santos considerou que esta é uma maneira de se resolver "uma questão que é transversal a todos", sublinhando que o PS "não estaria confrontado com a votação de uma iniciativa ou de um orçamento com propostas com as quais não concorda", porque esse orçamento retificativo ficaria limitado "às matérias sobre as quais existe um amplo consenso junto dos partidos políticos com representação parlamentar"..Nesse sentido, Pedro Nuno Santos revelou que vai entrar em contacto com Luís Montenegro, líder da coligação AD. Para "indicarmos dois nomes que possam, num prazo de 30 dias, construir um acordo que permita encontrar uma solução até ao verão para resolvermos a situação destes profissionais da administração pública, ainda antes do início das férias de verão", referiu..Manifestou ainda disponibilidade de o PS para participar na decisão da futura localização do novo aeroporto de Lisboa. .Já no que se refere a um Orçamento de Estado para 2025, “é praticamente impossível” o PS viabilizar. E justificou: um Orçamento de Estado é uma “declinação anual de um programa eleitoral”. O PS, considerou, deve liderar a oposição. “Nunca conseguiriamos liderar a oposição comprometidos" com a política do Governo, afirmou..Pedro Nuno Santos referiu-se a Luís Montenegro como o “mais que provável primeiro-ministro” para referir que é ao líder da AD que se tem de pedir "as condições de governabilidade necessárias e que o país precisa”.."Não podemos pedir ao PS que seja o garante de um Governo com o qual discorda", disse, no entanto, o secretário-geral do PS. .Uma vez que ainda decorre a contagem dos votos nos círculos da emigração, Pedro Nuno Santos recusa “elaborar sobre cenários que não tenham quase nenhuma probabilidade de se verificarem”. “Julgo que a contagem vai dar-nos razão”, disse, sem querer revelar o teor da conversa com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.