Pedro Nuno diz que negociar o OE permitiu diminuir dano que Governo ia impor ao país. Viabilização pela abstenção aprovada por unanimidade
JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Pedro Nuno diz que negociar o OE permitiu diminuir dano que Governo ia impor ao país. Viabilização pela abstenção aprovada por unanimidade

Na abertura da reunião da Comissão Política Nacional, o líder do PS defendeu que os socialistas têm que fazer uma "oposição dura" e "apresentar uma verdadeira alternativa".
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O líder do PS considerou esta segunda-feira que a negociação do Orçamento do Estado permitiu diminuir um dano que o Governo iria impor ao país, defendendo que os socialistas têm que fazer uma "oposição dura" e "apresentar uma verdadeira alternativa".

Segundo fontes socialistas adiantaram à agência Lusa, Pedro Nuno Santos defendeu estas ideias na intervenção de abertura da reunião da Comissão Política Nacional, que decorreu em Lisboa e na qual a viabilização do PS pela abstenção aprovada por unanimidade.

Pedro Nuno Santos defendeu que a negociação com o Governo, que terminou sem um acordo, permitiu "diminuir o dano que o Governo ia impor ao país", justificando o facto de ter negociado porque, para si, seria impensável "cheques em branco" ou dar um "salvo-conduto" ao executivo de Luís Montenegro para "fazer o orçamento que quisesse".

O líder do PS disse não duvidar de que o PS fez bem em negociar com o Governo e considerou que sem acordo os socialistas estão descomprometidos com o orçamento, "mas comprometidos com o saldo orçamental".

Assumindo que o desafio é grande para os socialistas, Pedro Nuno Santos defendeu que o PS tem que fazer o "trabalho de oposição dura" e apresentar "uma verdadeira alternativa ao Governo".

No final da reunião, que durou cerca de quatro horas, o presidente do PS, Carlos César, admitiu que custa aos socialistas viabilizar o orçamento porque não gostam da proposta nem confiam no Governo, explicando que a decisão foi colocar o interesse nacional acima do interesse partidário.

Carlos César disse aos jornalistas que esta "foi uma noite muito importante também para a democracia portuguesa" e na qual houve uma "manifestação de grande unidade do PS".

"Se nos pergunta: custa-nos viabilizar este orçamento? Claro que nos custa. Nós não gostamos deste orçamento, nós não confiamos neste Governo, mas nós entendemos que primeiro está o país", assumiu.

Para o presidente do PS "não pode haver uma situação de paralisia na administração" do país, mesmo se não os socialistas não confiam na condução da governação que está a ser feita pelo executivo PSD/CDS-PP liderado por Luís Montenegro.

"Estivemos aqui numa reunião de um partido que não gosta de um orçamento, que não confia num Governo, mas que ponderou o interesse nacional e aquilo que nos afigura mais importante, que era considerar que nesta situação de grande fragilidade que o país atravessa, com a conjuntura externa com riscos que não são de menosprezar, a melhor atitude seria a de evitar que houvesse uma paralisação da administração no país", justificou.

Sublinhando que esta "posição foi assumida por unanimidade", Carlos César considerou tratar-se de uma "manifestação de grande unidade do PS, mas também de grande apuramento no sentido da defesa do interesse nacional".

"Um partido que faz isso, considerando ser um partido que simultaneamente quer ser o partido da oposição e o partido de alternativa ao Governo, é um partido que põe acima do seu próprio interesse o interesse do país e dos seus concidadãos", defendeu, sublinhando que "não houve qualquer divisão [interna] na fase anterior".

Sobre a estratégia do PS na especialidade do OE2025, o presidente do PS referiu que esta ainda não foi discutida, mas lembrou que Pedro Nuno Santos já disse que nessa fase orçamental o partido "não contribuiria para qualquer alteração do saldo orçamental que foi apontado pelo Governo".

"O PS naturalmente que não poderá votar a favor aquilo que toda a gente sabe que é contra, mas o seu compromisso na especialidade do orçamento é não afetar o saldo orçamental. Decidirá caso a caso, conforme as circunstâncias, aquilo que irá fazer, sem qualquer dramatismo e sem ter a ambição de fazer com que este orçamento seja o seu orçamento porque definitivamente não é", apontou.

Carlos César recusou a ideia de que o PS fique fragilizado ao viabilizar este orçamento.

"O PS acha que não devia haver eleições antecipadas, que não devia haver uma rutura da administração porque é esse o problema, não é saber que resultado daria as eleições, é ter a certeza que durante meses consecutivos havia uma administração paralisada em função de um processo eleitoral. Isso é que seria grave para o país", explicou.

Defendendo que o PS "é o maior e o melhor" partido da oposição, Carlos César adiantou que o partido fará "uma explicação muito clara aos portugueses daquilo que entende que devia ser feito e que não está a ser feito", com propostas para aquilo que "é o melhor" para Portugal.

O presidente socialista acusou o Governo de Luís Montenegro de fazer "anúncios sobre o que já foi anunciado" e também "dezenas e dezenas de inaugurações de obras que não planeou e que não fez".

"Um Governo que faz flores com os fundos que o PS, através de uma política séria de gestão das finanças públicas, conseguiu reservar e que no decurso do mandato, se prosseguisse, teria que fazer, de satisfação de algumas reivindicações de classes profissionais", afirmou.

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