Santa Maria. Os 77 testes realizados a profissionais de saúde são negativos

Hospital reage a notícias de que há uma enfermeira e uma funcionária com coronavírus e garante que todos os testes aos funcionários que contactaram com os dois doentes infetados deram negativo. FNAM diz que Santa Maria pode tornar-se o mais grave caso de saúde pública do país.

Até ao meio dia desta quinta-feira, já era conhecido o resultado de 77 testes realizados aos profissionais da saúde que contactaram com os dois doentes infetados com o covid-19 no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, - todos deram negativo, segundo uma nota interna a que o DN teve acesso.

O Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte (CHULN), a que pertence o Santa Maria, enviou uma circular aos seus funcionários para os tranquilizar quando surgiram notícias de que havia uma enfermeira e uma auxiliar do Hospital de Santa Maria infetadas. Na nota, garante-se que não há nenhum profissional de saúde dos CHULN com testes positivos ao novo coronavírus.

Há ainda profissionais que não realizaram os testes ou que aguardam os resultados.

Os hospital dividiu os profissionais que contactaram com os doentes em três grupos: os sintomáticos, os assintomáticos e os assintomáticos de risco (os que, por exemplo, contactaram com o doente mais de 15 minutos e a menos de dois metros).

No caso dos sintomáticos e dos assintomáticos de risco, se o teste der negativo e se for considerado que pode continuar a trabalhar, devem fazê-lo com máscara e com vigilância ativa durante 14 dias. No caso de testarem positivo, segue-se o protocolo. Para os outros assintomáticos, está prevista uma vigilância ativa e igualmente o uso de máscaras.

A nota interna surge depois de, quarta-feira, se ter ficado a saber que dois homens internados há vários dias naquele hospital com pneumonia, afinal, testaram positivo ao covid-19. O novo diagnóstico foi possível devido à alteração de critérios que ditou que os doentes com doenças respiratórias graves iriam fazer o teste, conforme anunciou a Direção-Geral da Saúde.

Os dois doentes - um na casa dos 60 anos e outro nos 80 - estão agora isolados em quartos de pressão negativa. Os doentes das enfermarias onde passaram estes dois homens também foram submetidos a análises, mas não são conhecidos os resultados.

Mil kits devem chegar até ao final da semana

A nota que a administração enviou aos funcionários - e que fala em "notícias falsas publicadas na comunicação social nas últimas horas" - refere ainda que não há falta de kits para realizar testes ao novo coronavírus para utentes ou profissionais do centro hospitalar e que os fornecimentos têm sido suficientes para garantir a realização das análises aos casos suspeitos.

O Centro Hospitalar pediu um total de 2000 kits para fazer testes às suspeitas de infeção pelo novo coronavírus, sendo que mil devem chegar até ao final desta semana e outras centenas terão já sido entregues.

"Está assim garantido o plano de avaliação diagnóstica elaborado pelo Centro Hospitalar para o Covid-19, que passa também por testar todos os profissionais que se enquadrem na avaliação de risco com o apoio dos especialistas do CHULN e em articulação com as autoridades de saúde pública. Todos os profissionais testados ficam em quarentena ou isolamento até validação final dos respetivos resultados laboratoriais", pode ler-se na nota a que o DN teve acesso.

Apelo à utilização racional de equipamento

Os funcionários são ainda informados que está garantido o fornecimento de equipamento de segurança pessoal nos casos necessários. No entanto, não deixa de se apelar à "utilização racional" dos mesmos para que os fornecimentos "que o mercado tem permitido" sejam suficientes para as necessidades.

O Hospital de Santa Maria decidiu entretanto suspender os internamentos nas três enfermarias onde foram descobertos os dois casos de doentes que ali ingressaram com pneumonia e que deram positivo no teste ao coronavírus. E, só em caso de não haver outra resposta do Serviço Nacional de Saúde, é que aceitará transferências de outros hospitais.

O hospital está também a identificar os doentes que entretanto tiveram alta, mas que se cruzaram nas enfermarias com os dois homens infetados com covid-19 e foram canceladas as visitas aos doentes internados nas enfermarias onde foram identificados os casos positivos.

FNAM:"Pode tornar-se o maior problema de saúde pública do país"

Os casos de contacto direto dos profissionais de saúde com doentes infetados pelo covid-19 no Hospital de Santa Maria levou a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) a pedir uma reunião de emergência à Autoridade de Saúde da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo.

A FNAM questiona a decisão da administração do hospital de manter "em trabalho regular" profissionais assintomáticos: "Decisão que, à luz das orientações da DGS e do ECDC, nos coloca as maiores dúvidas."

E acrescenta: "Os médicos do Hospital de Santa Maria fazem-nos chegar a preocupação, fundamentada, que este se possa tornar o maior problema de saúde pública do país. Falamos do maior Hospital do País e de doentes infetados, que estiveram dias no corredor, contactando com dezenas de profissionais de saúde. É obrigação deontológica dos médicos salvaguardar estes doentes."

Para a estrutura sindical, este assunto não pode ser deixado a critérios arbitrários e medidas avulsas de conselhos de administração. "Os médicos exigem orientação e esclarecimento direto por parte da Autoridade de Saúde", refere.

A FNAM solicitou, também com caráter de urgência, uma reunião à diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, para discutir o papel que pode desempenhar no combate a esta pandemia.

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