Quartéis, pavilhões, escolas e centros de exposições adaptam-se para combater a pandemia

Há um mês eram apenas três os hospitais de referência para receber os doentes com covid-19. Agora, tudo está a ser adaptado para combater a pandemia, desde tendas, quartéis, pavilhões desportivos e de exposições, escolas e até espaços culturais.

O Sporting já disponibilizou o Pavilhão João Rocha e o relvado sintético para a instalação de hospitais de campanha, o FC Porto fez o mesmo com o Dragão Arena, mas não são os únicos clubes a fazê-lo. Surgem ofertas de espaços, públicos e privados, para a instalação de hospitais de campanha e centros de testes em todo o país, infraestruturas que estão ser adaptadas para receber os casos suspeitos e doentes com covid-19. À semelhança do que acontece em Espanha e em Itália.

O Sporting Clube de Torres Vedras e o Externato de Penafirme estão a converter os pavilhões desportivos em hospitais de campanha, 30 camas cada um, para o caso de as unidades de saúde locais ficarem sobrelotadas. Nas Caldas da Rainha, o Pavilhão da Mata e o Centro de Alto Rendimento do Badminton foram adaptados para dar lugar a espaços de isolamento para os doentes com covid-19, igualmente com 30 camas cada um, e estão prontos a funcionar.

Aquelas instalações transformaram-se em hospitais de campanha, e organizações como o INEM, Cruz Vermelha e Exército instalaram as suas tendas junto aos hospitais para os mesmos fins, nomeadamente no Hospital de São João, no Porto, e de Santa Maria, em Lisboa.

Também transformado num hospital de campanha está o Estádio Universitário em Lisboa. As instalações têm capacidade para 500 camas e vão servir "como hospital de retaguarda para os doentes menos graves, mas que ainda necessitem de cuidados hospitalares", explica a Câmara de Lisboa.

O investimento de cerca de 300 mil euros/mês é da autarquia, numa parceria com a Universidade de Lisboa, que cede o espaço, as Forças Armadas, que disponibilizam as camas e as refeições, e com o Hospital de Santa Maria que fornece os meios humanos e hospitalares.

Segundo a Câmara, este hospital de campanha, construído em apenas uma semana, estará pronto a receber os primeiros doentes já no fim de semana.

Numa iniciativa semelhantes, a Câmara de Leiria pretende instalar um centro laboratorial no Estádio Municipal.

Até os hotéis podem vir a disponibilizar quartos, como já foi anunciado pelo primeiro-ministro António Costa, até porque muitas destas unidades estão fechadas. E o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, anunciou ter 180 quartos, entre hotéis e alojamento local, destinados aos profissionais de saúde. O objetivo é que ali permaneçam enquanto estão a trabalhar ou em quarentena, evitando, desta forma, contaminar a família.

O DN tentou junto do Ministério da Saúde e da Direção-Geral da Saúde perceber quantas estruturas no país estão a ser canalizadas para os casos suspeitos e infetados com o novo coronavírus (SARS-Cov-2), tarefa que se revelou impossível. Todos os dias surge a agregação de novas instalações para fazer face à propagação da doença, algumas, também, para colocar doentes com outras patologias. Isto porque a unidade principal estará focada nos casos suspeitos e infetados com o SATS-Cov-2. Foi, aliás, anunciado que o Hospital Curry Cabral, em Lisboa, poderá destinar-se apenas aos pacientes com covid-19.

Ainda nesta semana foram instaladas 28 tendas no hospital prisão de Caxias, em Lisboa, com capacidade para 260 camas para o caso de se registarem casos de infeção pelo novo coronavírus no estabelecimento prisional. E nesta quinta-feira (26 de março), o Ministério da Administração Interna disponibilizou 20 tendas e 260 camas para instalar em estabelecimentos prisionais, "no âmbito das medidas preventivas de mitigação do contágio associado à pandemia da doença COVID-19 entre a população prisional".

Muitas das tendas utilizadas para hospitais de campanha são das Forças Armadas, que também instalaram infraestruturas destas junto às unidades hospitalares de Viseu e de Viana do Castelo. A estrutura militar cedeu ainda duas camas nas suas unidades destinadas à assistência aos doentes e 300 para apoiar os profissionais do saúde. No domingo passado (22 de março), os utentes do Residência Pratinha, em Vila Nova de Famalicão, foram transferidos para o Hospital Militar do Porto. A quase totalidade dos funcionários do lar estão infetados e sem capacidade de assistir os utentes.

Centros de testes

Outra das áreas onde está a ser dada prioridade é a realização de testes para avaliar a contaminação com o SARS-Cov-2, sendo estes centros criados em espaços muito distintos, como quartéis, pavilhões, escolas e espaços de diversões.

Os primeiros testes em sistema drive-thru foram realizados no Porto, no Queimódromo (recinto onde se realiza a queima das fitas) no Parque da Cidade. Os pacientes, que têm obrigatoriamente de ser encaminhados pela Linha Saúde 24 (SNS 24) entram de carro na estrutura e nem precisam de sair da viatura para lhes fazerem a zaragatoa e retirar uma amostra para análise.

Às 00.00 desta quinta-feira, Portugal entrou na fase de mitigação da doença, sendo a norma sujeitar a testes "todas as pessoas que desenvolvam quadro respiratório agudo de tosse (persistente ou agravamento de tosse habitual) ou febre (temperatura ≥ 38.0ºC), ou dispneia/dificuldade respiratória", mantendo-se a obrigação de serem encaminhadas através da SNS 24 (808 24 24 24).

O Portimão Arena transformou-se num centro de rastreio de despistagem de covid-19, em sistema drive-thru, tornando-se o terceiro do Algarve. Os outros dois são no Estádio Algarve, entre os concelhos de Faro e de Loulé, e em Silves.

O Europarque, em Santa Maria da Feira, que teve de cancelar as exposições, passou a ter um centro de testes ao SARS-Cov-2, o mesmo acontecendo com o Centro de Congressos de Cascais, ambos para rastrear pessoas com suspeição de estarem infetadas com o novo coronavírus.

E, também, o quartel de Bombeiros Voluntários da Guarda foi adaptado para ali se realizarem testes.

Nem as escolas ficaram de fora nesta fase de adaptação à pandemia, como a Escola da Quinta dos Frades, no Lumiar, que foi um dos dois primeiros equipamentos de rastreio da doença na cidade de Lisboa. O outro ficou instalado no Parque das Nações.

A autarquia de Oeiras inaugura nesta quinta-feira a tenda de triagem, junto ao Centro de Saúde de Paço de Arcos, e uma área para avaliação e tratamento de doentes (ADC) em Algés, no Palácio Anjos. Além de que tem um centro de testes para funcionários do município, a funcionar na antiga Fundição de Oeiras.

A Câmara Sintra irá ter três centros de avaliação, em Agualva, Algueirão-Mem Martins e na Terrugem, em coordenação com os centros de saúde locais. Aliás, a norma que entrou nesta quinta-feira em vigor prevê que os centros de saúde criem circuitos alternativos e zonas específicas para atender os casos suspeitos da doença, para que estes não se cruzem com os outros utentes, obrigando a uma adaptação de todas estas estruturas no país. O mesmo acontece com os hospitais, que devem ter áreas para quem tem a sintomatologia enquadrada no covid-19 separadas das destinadas às outras patologias.

Recomendações da DGS:
Para evitar que a epidemia se espalhe a DGS reforça os conselhos relativos à prevenção: evitar contacto próximo com pessoas que demonstrem sinais de infeção respiratória aguda, lavar frequentemente as mãos, evitar contacto com animais, tapar o nariz e a boca quando espirra ou tosse e lavar as mãos de seguida pelo menos durante 20 segundos.

Em caso de apresentar sintomas coincidentes com os do vírus (febre, tosse, dificuldade respiratória), a autoridade de saúde pede que não se desloque às urgências, mas para ligar para a linha SNS 24 (808 24 24 24).

A tosse é o sintoma mais frequente (65%) entre os casos confirmados, seguida de febre (46%), dores musculares (40%), cefaleia (37%), fraqueza generalizada (24%) e, por último, dificuldades respiratórias (10%).

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