Quando o assassino mora em casa. 7 casos de morte em família

Casos como o do triatleta Luís Grilo são raros, mas sobressaem no total de homicídios por acontecerem em ambiente doméstico.

Durante 39 dias, Rosa Grilo, agora detida por alegadamente ter matado o marido, iludiu (ou tentou iludir) a polícia. Participou o desaparecimento à polícia, distribuiu mensagens, esteve nas buscas, falou aos meios de comunicação social - "O Luís vai fazer-me muita falta", disse à TVI -, disse que o seu desaparecimento podia ser um acidente que correu mal... Na quarta-feira, após quatro horas de buscas, a Polícia Judiciária confirmou a detenção e menos de 24 horas depois esclarecia pormenores sobre o caso. Rosa, detida com um cúmplice, um oficial de justiça, não é caso único.

Professora assassinada pela filha no Montijo

Durante uma semana, Diana fingiu o desaparecimento da mãe, uma professora de 59 anos do Montijo, que, alegadamente, terá matado com a cumplicidade do marido. Alertaram a polícia, fizeram apelos no Facebook e a jovem falou às televisões.

"Pela hora do jantar, usando fármacos, colocaram-na na impossibilidade de resistir, agrediram-na violentamente no crânio com um objeto contundente, colocaram-na na bagageira de uma viatura e transportaram-na para a zona de Pegões, onde, com recurso a um acelerante, lhe pegaram fogo", disse a Polícia Judiciária, justificando a prisão preventiva da filha e do genro de Amélia Fialho. Ela tem 23 anos, ele 27.

A docente foi encontrada morta em Pegões, no Montijo, a 8 de setembro. A relação entre mãe e filha era tensa. Desde pelo menos 2014 que existia registo na PSP de queixas por alegadas agressões de Diana à mãe. A herança que poderia receber após a morte da mãe terá sido o móbil do crime, acredita a polícia.

Matou a mulher doente e suicidou-se

Em Barroselas, Viana do Castelo, um homem de 79 anos matou a mulher, de 82, a tiro, suicidando-se em seguida. O caso aconteceu em janeiro deste ano. A mulher estava doente; o homem, deprimido. Os corpos foram encontrados em casa pelas autoridades, alertadas por um dos dois filhos do casal.

Mãe entrou com as filhas no mar

Sónia Lima conduziu pela Avenida Marginal, parou o carro e desceu até à praia, em Paços de Arcos, com as filhas, de 4 anos e 19 meses, em fevereiro de 2016, largando as crianças. O corpo da mais nova foi encontrado na manhã seguinte, o da filha mais velha só foi localizado uma semana depois. Julgada em 2017, foi condenada a 25 anos de prisão.

Mulher encontrada morta em Almeirim

Neste mês, no dia 13, uma mulher de 65 anos foi encontrada morta em sua casa, em Almeirim, Santarém. O corpo evidenciava sinais de violência que levaram a chamar a GNR ao local. Terá sido morta pelo marido. É uma das 21 mulheres que só neste ano foram mortas por maridos, companheiros ou familiares. Quinze dias antes, outra mulher foi morta a tiro pelo marido, em Quiaios, no concelho da Figueira da Foz. Tinha 48 anos e foi o filho que comunicou o crime à GNR. O alegado autor do crime, que sofre de problemas psiquiátricos, esteve a monte. As autoridades detiveram o alegado assassino numa moradia devoluta um dia depois.

Mãe, pai e avó mortos em Montemor-o-Velho

O triplo assassínio aconteceu em maio de 2016. Após uma discussão violenta com o pai, Paulo da Cruz, então com 41 anos, atirou sobre ele, a mãe e avó. Um casal familiar e a filha de 8 anos fugiram e alertaram as autoridades para o que acabava de acontecer naquela casa em Faíscas, uma localidade da freguesia de Arazede, Montemor-o-Velho. A GNR montou uma operação que durou cerca de sete horas. Tinha cometido suicídio com a mesma arma que usou para assassinar a família. O homem não possuía qualquer registo de violência.

Viciado em apostas, lusodescendente mata a mãe

O crime aconteceu em 2016. Viciado em apostas desportivas e com dívidas que ascendiam a 200 mil euros, o lusodescendente Luís de Carvalho assassinou a mãe e tentou matar o pai. O julgamento, num tribunal de júri, começou na segunda-feira, em Yveslines, nos arredores de Paris. Então com 29 anos, Luís de Carvalho, o mais novo de três irmãos, estrangulou a mãe, esperou que o pai chegasse a casa ao fim da tarde e tentou matá-lo com uma picareta. Fugiu depois, tendo sido encontrado pela polícia em Lille. Nove meses depois, na sequência de problemas cardíacos, e nunca tendo ultrapassado a morte de Ana Maria Carvalho, o pai viria a morrer. A acusação acredita que o alegado autor dos crimes premeditou o homicídio, com base numa série de pesquisas encontradas no seu computador. Entre elas, incêndio em casa. A sentença será conhecida nesta sexta-feira.

O maior homicida familiar da década

Paulo Silva tinha 44 anos quando, em 2015, matou os ex-sogros, a ex-mulher e o enteado num café da Póvoa de Varzim. No julgamento, uma das testemunhas foi o próprio filho, então com 16 anos, que viu como tudo se passou no dia do crime e como o pai baleou a família, tendo tentado desarmá-lo. Em causa estava um problema de partilhas. O homem, que todos tinham por pacato na freguesia de Estela, exigia dinheiro por uns pavilhões que teria construído em terrenos do pai da ex-mulher. Depois do crime, pôs-se em fuga para Espanha. Foi detido em Valença, após perseguição policial. Tinha uma taxa de 1,38 g/l de álcool quando foi detido. Tinha bebido meia garrafa de whisky antes de cometer o crime. Foi condenado a 25 anos de prisão.

Segundo os dados do Relatório Anual de Segurança Interna, o número de homicídios diminuiu quase metade:

2017 - 82 casos

2016 - 76 casos

2015 - 102 casos

2014 - 103 casos

2013 - 121 casos

2012 - 149 casos

(atualizado a 29 de setembro com os número de homicídios disponibilizados pelo RASI até 2017)

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG