Ordem dos médicos, enfermeiros e farmacêuticos escrevem a Costa. "Não têm estado a acautelar medidas básicas"

As três ordens apelam ao Governo para aumentar a proteção aos profissionais de saúde, indicando que continuam a receber denúncias de falta de luvas, máscaras, fatos de proteção e desinfetantes no terreno.

Pedem mais equipamento de proteção individual para os profissionais de saúde, sob pena destes serem infetados pelo novo coronavírus. Numa carta aberta dirigida ao primeiro-ministro, António Costa, as ordens dos médicos, enfermeiros e farmacêuticos escrevem que continuam a receber "milhares de relatos de situações muito difíceis que os nossos profissionais de saúde estão a enfrentar no terreno sem estar devidamente acautelada a proteção das suas próprias vidas, dos seus familiares e dos seus doentes".

Há, pelo menos, 165 profissionais de saúde infetados, em Portugal. Destes, 82 são médicos, 37 são enfermeiros e os restante 46 são essencialmente assistente operacionais (técnicos), revelou esta segunda-feira o Secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, em conferência de imprensa. Embora não tenham sido todos contagiados em ambiente de trabalho, a maior parte terá sido e, segundo as ordens, isto deve-se à falta de condições de trabalho, quando o país só agora entrará na terceira fase de combate à pandemia (a de mitigação, que prevê contágio na comunidade) e tem 2995 casos confirmados e 43 mortes. Falam em falta de máscaras, luvas, fatos de proteção e desinfetantes alcoólicos nos hospitais, centros de saúde e na rede de farmácias.

"O primeiro caso de COVID-19 no nosso país foi noticiado no dia 2 de março, o que nos deveria ter proporcionado uma margem de manobra superior à de outros estados que foram confrontados com o surto mais cedo e em fases em que a informação sobre as medidas a tomar era mais incipiente", pode ler-se na carta assinada pelos bastonários Miguel Guimarães (Ordem dos Médicos), Ana Paula Martins (Ordem dos Farmacêuticos) e Ana Rita Cavaco (Ordem dos Enfermeiros). "Infelizmente, é entendimento da Ordem dos Médicos, da Ordem dos Enfermeiros e da Ordem dos Farmacêuticos que o Governo, e o Ministério da Saúde em particular, não têm estado a acautelar medidas básicas e que podem comprometer todo o esforço de combate a este surto, de que é exemplo máximo a escassez de equipamentos de proteção individual", continuam.

No documento, as ordens mostram-se ainda preocupadas com a possibilidade de os relatos de falta de equipamentos se multiplicarem à medida que a pandemia escale e manifestam o seu desacordo com a Orientação 013/2020, publicada pela Direção-Geral da Saúde (DGS), no dia 21 de março. Esta norma prevê apenas vigilância ativa para os profissionais com risco de exposição à covid-19 e só mediante manifestação de sintomas a realização de análises laboratoriais.

"Esta aplicação conservadora dos testes, tanto nos profissionais como nos casos suspeitos entre cidadãos, vai em sentido contrário ao que se tem feito em países que têm publicado alguns artigos com os bons resultados no controlo do surto através desta metodologia, como Islândia, Alemanha, algumas zonas de Itália ou Coreia do Sul. Os primeiros dados, agora consolidados, de que a infeção pode ser assintomática em muitos dos cidadãos reforça a importância de testar mais pessoas na fase de mitigação em que nos encontramos", escrevem.

Além dos idosos, das pessoas com doenças crónicas e das grávidas, os profissionais de saúde são um dos principais grupos de risco. No entanto, até agora as recomendações da DGS apontam para que apenas os profissionais que lidam diretamente com casos confirmados ou suspeitos de covid-19 utilizem material de proteção, como fatos ou máscaras.

O Governo anunciou, esta semana, que os stocks destes equipamentos continuarão a ser repostos e que esta semana deverão chegar às unidade de saúde mais dois milhões de máscaras cirúrgicas e outros dois milhões de máscaras FFP2, que protegem contra aerossóis, para além de um reforço noutros equipamentos de proteção individual.

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