Ordem dos Médicos condena encerramento do SAMS e pede intervenção do Governo

"Não é admissível que uma instituição privada fique de fora da solução, criando até mais dificuldades a outros hospitais do setor público, privado ou social", lamenta a Ordem dos Médicos.

O Conselho Nacional da Ordem dos Médicos condenou esta quinta-feira a decisão de encerramento total do hospital e clínicas do SAMS, serviço de saúde dos bancários, e instou o Governo a intervir com vista à reposição da normalidade.

A direção clínica do SAMS decidiu suspender os serviços devido à infeção pelo novo coronavírus de doentes e profissionais de saúde, tendo esclarecido que esta tinha sido a "melhor solução" encontrada e que iam ser aplicadas "novas regras de regime simplificado de 'lay-off', garantindo a "salvaguarda da segurança e saúde" de profissionais e doentes.

Esta quinta-feira, em comunicado, a Ordem dos Médicos condenou a decisão "incompreensível dos órgãos dirigentes do SAMS, solidarizando-se com médicos e doentes, e exigiu a reposição de todas as condições que permitam manter o contacto e o acesso aos cuidados de saúde.

"O Conselho Nacional da Ordem dos Médicos insta também o Governo, através do Ministério da Saúde, a socorrer-se do Estado de Emergência declarado, para ter uma intervenção que permita repor a normalidade no SAMS", é sublinhado.

A Ordem considera que "não é admissível que uma instituição privada fique de fora da solução, criando até mais dificuldades a outros hospitais do setor público, privado ou social, que agora somam à covid-19 os restantes doentes do SAMS que viram o seu acompanhamento abruptamente interrompido".

No entendimento da Ordem, o custo público e para a saúde decorrente do encerramento de unidades de saúde torna obrigatória uma posição do Estado sobre este tema.

DGS só determinou o fecho da urgência

Na nota, a Ordem dos Médicos lembra que a Direção-Geral da Saúde (DGS) veio esclarecer esta semana que apenas determinou o encerramento da urgência do hospital localizado nos Olivais, em Lisboa, não instando o fecho de toda a atividade do SAMS, como acabou por acontecer.

A Ordem salienta que o encerramento tem impacto nos mais de 90 mil beneficiários do SAMS, que deixaram de ter apoio, e também de forma indireta no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e noutras unidades privadas, numa altura em que o país vive grandes dificuldades devido à pandemia.

O SAMS, segundo a Ordem, manteve-se apenas a funcionar "exclusivamente para assegurar os tratamentos em curso na Unidade de Oncologia e na Unidade de Radioterapia".

"Para a prescrição de medicamentos urgentes foi assegurado apenas um número de telefone, o que tem inviabilizado a manutenção do contacto dos médicos com os doentes, bem como o acesso a dados clínicos necessários para apoiar decisões", é sublinhado.

Para a Ordem dos Médicos, a situação torna-se "ainda mais gravosa" pelo facto de em 24 de março, ter sido enviado a todos os médicos do SAMS um email individual informando que a Comissão Executiva iria aplicar o regime de lay-off.

"Viram-se assim os médicos com as suas agendas encerradas a partir dessa data e sem a possibilidade de manter pelo menos o contacto remoto/consulta telefónica com os doentes, como se mantêm noutras instituições do SNS ou privadas", é referido.

Doentes "deixados ao abandono"

A Ordem destaca ainda que o SAMS conta com "um total de cerca de 94 mil beneficiários, que durante anos foram seguidos pelos seus médicos nesta instituição onde têm toda a sua história clínica e que foram deixados ao abandono, sem continuidade de cuidados e com a sugestão de procurarem outras instituições, quebrando a relação médico-doente e violando todas as regras éticas".

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de um milhão de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 50 mil.

Em Portugal registaram-se 209 mortes associadas à covid-19 e 9.034 casos de infeção confirmados, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde.

Portugal iniciou às 00:00 de hoje a renovação do estado de emergência devido à pandemia de covid-19 por mais 15 dias, até 17 de abril, abrangendo o período da Páscoa.

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