Arquipélago da Madeira em "alerta máximo" devido ao furacão Leslie

IPMA considera elevada a incerteza da trajetória da tempestade.

O dispositivo de socorro na Região Autónoma da Madeira está em "alerta máximo" devido à aproximação do furacão Leslie, que deverá atingir o arquipélago a partir das 07.00 de sábado, indicou nesta sexta-feira o executivo regional.

Fonte da Secretaria Regional da Saúde, que tutela o Serviço de Proteção Civil, referiu à agência Lusa que foram "acionados todos os procedimentos" de acordo com o grau do alerta, que é amarelo para as regiões montanhosas e laranja para a zona costeira, com ondas de cinco a sete metros, podendo atingir 10 a 12 metros do quadrante oeste, e precipitação por vezes forte e acompanhada de trovoada.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) informou, no entanto, que a incerteza em relação à trajetória do furação Leslie é "anormalmente elevada", sendo apenas possível determiná-la com alguma confiança num prazo de 24 horas.

"As previsões para mais de 24 horas continuam a indicar trajetórias muito distintas", indicou.

O IPMA refere que o arquipélago da Madeira está, deste modo, sob vigilância, existindo uma probabilidade de 60% a 80% de as ilhas da Madeira e Porto Santo começarem a sofrer os efeitos do Leslie a partir das 07.00 de sábado, 13 de outubro, em termos de agitação marítima, vento e precipitação.

As câmaras municipais da região autónoma emitiram, entretanto, diversos avisos à população, alertando para a previsão de mau tempo.

No Funchal, a autarquia decidiu encerrar todos os complexos balneares no sábado, bem como condicionar os acessos a toda a frente mar do concelho a partir das 22.00 desta sexta-feira, nomeadamente à praia Formosa, onde será removido o passadiço marítimo, bem como ao Lido, à Doca do Cavacas e à praia de São Tiago.

A câmara informou também que serão encerrados os acessos ao Parque Ecológico do Funchal a partir desta noite e, por outro lado, vai reforçar o dispositivo dos Bombeiros Sapadores.

Medida semelhante foi tomada pelo Instituto de Florestas e Conservação da Natureza, que decidiu encerrar os percursos pedestres e alguns caminhos florestais.

A previsão de mau tempo para o arquipélago da Madeira motivou também a TAP e outras companhias aéreas a cancelar os voos programados para sábado, ao passo que a Porto Santo Line suspendeu as viagens marítimas para o Porto Santo.

O comando da Zona Marítima da Madeira (ZMM) emitiu, por seu lado, um alerta dirigido não só à comunidade marítima que se encontra no mar mas também à população em geral que frequenta zonas costeiras, sendo que as recomendações vão no sentido de que não se pratiquem passeios junto ao litoral e que os pescadores lúdicos não realizem a sua atividade.

As autoridades marítimas salientam que o dispositivo naval será reforçado nesta sexta-feira com a chegada da corveta João Roby, para aumentar a "capacidade de resposta em situações de busca e salvamento marítimo", bem como "apoiar os órgãos de proteção civil regionais".

Exclusivos

Premium

Liderança

Jill Ader: "As mulheres são mais propensas a minimizarem-se"

Jill Ader é a nova chairwoman da Egon Zehnder, a primeira mulher no cargo e a única numa grande empresa de busca de talentos e recursos. Tem, por isso, um ponto de vista extraordinário sobre o mundo - líderes, negócios, política e mulheres. Esteve em Portugal para um evento da companhia. E mostrou-o.

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.