Mais 34 mortes e 712 infetados com covid-19 em Portugal. Casos sobem 6%

O país tem agora 12442 pessoas infetadas como o novo coronavírus e 345 mortes no total, segundo o boletim da DGS desta terça-feira.

Morreram mais 34 pessoas e foram confirmados mais 712 casos de covid-19, em Portugal, nas últimas 24 horas. De acordo com o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS), desta terça-feira (7 de abril - dia Mundial da Saúde), há agora no total 345 mortos, 12442 casos e 184 recuperados, mais 44 que ontem.

Ou seja, de domingo para segunda-feira registou-se um aumento de 10,9% no número de mortes e de 6% no de infetados. Ontem, a taxa de crescimento de contagiados atingiu a menor subida desde a chegada do surto a Portugal: 4%. A de mortos encontrava-se nos 5,4%.

As medidas de contenção (como o encerramento de escolas e a declaração do estado de emergência) foram adotadas há quase três semanas e parecem estar a surtir algum efeito, achatando a curva que traça a evolução da doença no país. No entanto, epidemiologistas e infeciologistas mantêm a prudência na análise, até porque a tendência continua a ser de crescimento, tanto no aparecimento de mais infetados, como no registo de novas mortes.

"Os números têm oscilado muito. Este abrandamento não é sinal de que o contágio vai parar a curto prazo, mas de que as medidas de contenção estão a surtir efeito",dizia, esta segunda-feira, ao DN, Bárbara Oliveiros, professora e investigadora da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra na área da matemática aplicada à saúde. A incerteza sobre o pico da doença em Portugal permanece. E o subdiretor-Geral da Saúde, Diogo Cruz, pediu novamente cautela na forma como se olha para estes dados.

"Apesar de estarmos contentes com estes números estarem mais baixos do que já foram, queremos solicitar alguma prudência. Não sabemos o dia de amanhã", disse, o subdiretor-Geral da Saúde, em conferência de imprensa, esta terça-feira, dia Mundial da Saúde - uma efeméride celebrada de forma diferente este ano, dizia o secretário de estado da Saúde, António Lacerda Sales, no seu discurso do ponto da situação diário.

"Assinala-se hoje o dia Mundial da Saúde, que era uma efeméride que passava mais ou menos despercebida. Hoje é um marco na luta das nossas vidas com o mundo a braços com a maior pandemia dos últimos cem anos", indicou António Lacerda Sales, acrescentando um agradecimento a todos os profissionais de saúde que combatem o surto. Entre os infetados portugueses, há já 1345 profissionais de saúde: 370 enfermeiros, 240 médicos e 825 técnicos de diagnóstico, assistentes operacionais, entre outros.

Neste momento, aguardam resultado laboratoriais 4442 pessoas e mais de 25 mil estão a ser acompanhadas pelas autoridades de saúde para vigiar possíveis sintomas. Estão internadas 1180 doentes, destes 271 em unidades de cuidados intensivos (mais um do que ontem).

Quem são os mortos e os infetados?

Portugal não regista nenhuma morte de uma criança, de um adolescente ou até de um adulto de uma faixa etária mais jovem. Tal como no resto do mundo, são sobretudo as pessoas acima dos 70 anos e com, pelo menos uma doença anterior, que morrem. Embora a junção destas duas características não assinem uma sentença de morte automática, como a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, tem insistido e como mostram as histórias de sucesso de uma mulher de 93 anos com diabetes que esteve internada no Hospital Garcia de Orta, em Almada, e de um homem de 100 anos no Hospital de São João, no Porto. Ambos integram a estatística dos recuperados.

Entre os 345 mortos no país, há 188 homens e 157 mulheres. 297 pessoas tinham 70 ou mais anos. 35 encontravam entre os 60 e os 69. Há registo de nove mortes entre os 50 e os 59 e quatro entre os 40 e os 49 anos. A taxa de letalidade é hoje de 2,8% em geral, de 10,7% nas pessoas acima dos 70 anos.

Sobre os infetados, sabe-se que 43,3% são homens. Existem 2776 pessoas com mais de 70 anos infetadas com o novo coronavírus. Mais de metade (59%) dos doentes apresentam tosse, 46% febre, 31% dores musculares, 28% cefaleia, 24% fraqueza generalizada e 17% dificuldades respiratórias.

Norte com mais do dobro de casos da região de Lisboa

A região do norte continua a ser a mais afetada pelo novo coronavírus e, esta terça-feira, tem mais do dobro dos infetados e de mortes que a segunda a região do país mais preocupante - Lisboa e Vale do Tejo (que tem também o concelho com mais casos).

O norte tem 7052 casos confirmados e 186 mortes. Nesta contagem seguem-se Lisboa e Vale do Tejo (3185 infetados, 64 mortes), o centro (1766, 88), o Algarve (234, 7), o Alentejo (com 85 casos e ainda sem registo de mortes), Açores (68) e a Madeira (52).

A n​​​​ível municipal, Lisboa é desde ontem o concelho com maior número de doentes (754). Depois o Porto (730), Vila Nova de Gaia (551), Gondomar (528), Maia (465) e Matosinhos (416).

Mais de 75 mil mortes no mundo no dia em que não morreu ninguém na China, pela primeira vez

Os Estados Unidos da América são o país com maior número de infetados (367 650), mais do dobro da segunda nação com mais doentes - a Espanha - que, esta terça-feira, regista um aumento de 743 mortes e 5 478 casos confirmados de infeção, segundo dados do Ministério da Saúde espanhol. O país tem agora 140 510 casos e 13 798 mortes.

Segue-se a Itália, onde existem 132 547 pessoas que contraíram o vírus e onde já foram declarados mais óbitos - 16 523.

No total, registam-se no mundo inteiro mais de 1,3 milhões de infetados, 293 452 recuperados e 75 897 mortes, segundo os dados atualizados às 11:40 no siteWorldometer. Na China, país onde o surto começou no final do ano passado, não há mortes a registar por covid-19 hoje. É a primeira vez que isto acontece, desde que a Comissão Nacional de Saúde chinesa começou publicar o número diário de óbitos, nos últimos dias de janeiro.

Recomendações da DGS

Para que seja possível conter ao máximo a propagação da pandemia, a Direção-Geral da Saúde continua a reforçar os conselhos relativos à prevenção: evite o contacto próximo com pessoas que demonstrem sinais de infeção respiratória aguda, lave frequentemente as mãos (pelo menos durante 20 segundos), mantenha a distância em relação aos animais e tape o nariz e a boca quando espirrar ou tossir (de seguida lave novamente as mãos). E acima de tudo: fique em casa.

Em caso de apresentar sintomas coincidentes com os do vírus (febre superior a 38º, tosse persistente, dificuldade respiratória), as autoridades de saúde pedem que não se desloque às urgências, mas sim para ligar para a Linha SNS 24 (808 24 24 24) ou para a unidade de cuidados primários mais próxima.

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