Militar na República Centro-Africana sobre Tancos: "Somos militares. Cumprimos ordens"

O major Vasco Brazão vai ser ouvido na quarta-feira no âmbito da investigação do caso de recuperação de armas de Tancos. Numa publicação no Facebook, o militar diz que está "arrependido, mas de consciência tranquila"

"Não sou criminoso nem tão pouco os meus camaradas o são. Somos militares. Cumprimos ordens". A afirmação é do major Vasco Brazão, em missão na República Centro-Africana, que regressa a Lisboa na terça-feira para ser ouvido no tribunal no âmbito da investigação do caso de recuperação de armas de Tancos, o que deverá acontecer no dia seguinte.

Pelo Facebook, o militar reage ao pedido de detenção feito pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal ao Estado-Maior General das Forças Armadas garantindo: "estou arrependido, mas de consciência tranquila".

Um "misto de sentimentos" que quer explicar ao Ministério Público.

"Em breve vou apresentar-me à Justiça. Infelizmente, por estar na República Centro-Africana, ainda não o pude fazer. Nada mais quero que, rapidamente, esclarecer a verdade dos factos", assegura no texto que publicou na noite de sábado na rede social.

O major Vasco Brazão defende-se referindo-se ao facto de ser militar e de cumprir ordens. "Estamos prontos para morrer na defesa e na salvaguarda do interesses nacionais. Somos formados assim. A salvaguarda dos interesses nacionais é sempre superior aos interesses individuais", argumenta.

"O major Vasco Brazão não é um criminoso. Há equívocos, desfasamentos, incompreensões e, eventualmente, até alguma irregularidade, mas uma atividade criminosa com fins estranhos não corresponde à verdade"

"Os meus familiares conhecem-me bem, os amigos também e a minha carreira fala por si", escreve na rede social e termina com "um forte abraço a todos e até breve". Na publicação, o militar inclui uma ligação que remete para um artigo do site Operacional - dedicado a temas da defesa nacional, Forças Armadas e segurança - que defende a dependência hierárquica da Polícia Judiciária Militar, (PJM) que é do Ministério da Defesa.

Na sexta-feira, Ricardo Sá Fernandes, advogado de Vasco Brazão, da PJM, afirmou que enviou um pedido ao Tribunal de Instrução Criminal (TIC) de Lisboa para que o militar seja ouvido na quarta-feira e que o seu constituinte "pretende esclarecer os equívocos" relacionados com a operação Húbris, referente ao roubo de armas em Tancos.

"O major Vasco Brazão não é um criminoso. Há equívocos, desfasamentos, incompreensões e, eventualmente, até alguma irregularidade, mas uma atividade criminosa com fins estranhos não corresponde à verdade", assegurou o advogado aos jornalistas.

A Polícia Judiciária deteve na passada terça-feira, o diretor da Polícia Judiciária Militar e outros três responsáveis da PJM, um civil e três elementos do Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Loulé.

TIC de Lisboa decretou prisão preventiva para o diretor da Polícia Judiciária Militar, Luís Vieira, e para o civil.