O PSD insistiu esta terça-feira na necessidade urgente de estabelecer parcerias com autarquias e instituições sociais para resolver o problema do alojamento estudantil, considerando tratar-se de uma carência que pode comprometer a frequência do ensino superior..Em declarações à agência Lusa, a deputada e ex-ministra da Educação Margarida Mano afirmou que o problema afeta não só as cidades de Lisboa e do Porto mas também municípios no interior do país.."A questão é crítica, pelo contexto de várias situações, a capacidade instalada das residências fica muito aquém das necessidades", referiu..A deputada, que levantou hoje a questão durante uma audição do ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, na comissão parlamentar de Educação e Ciência, considerou insuficiente o plano do governo para o alojamento estudantil.."Temos 120 mil estudantes deslocados e a capacidade instalada nas residências é de 13 mil", disse, defendendo a necessidade de intervir de duas formas, apostando na construção e requalificação de espaços, mas também fazendo parcerias com instituições, como as misericórdias, que dispõem de instalações que poderiam ser aproveitadas para alojar os alunos..O PSD, afirmou, ficou satisfeito com as medidas apresentadas na segunda-feira para aumento de duas mil camas até 2021, mas considerou-as insuficientes: "O que nos parece é que isso não chega, porque é gritante neste momento a falta de alojamento em várias cidades.".O partido pretende que seja feita uma avaliação nas zonas críticas, "com um défice de camas claro e inequívoco", no sentido de haver uma contratualização com as autarquias e instituições de solidariedade social, que têm instalações que podem disponibilizar por um prazo curto..O PSD apresentou já uma proposta neste sentido, que foi chumbada, mas afirma-se disponível para "acolher e viabilizar" outras propostas nesta área.."Perante os números, as duas mil camas vão colocar em 15% a cobertura de camas daqui a três anos, face aos deslocados", frisou Margarida Mano..A parlamentar sustentou que em algumas cidades o alojamento representa entre duas vezes e seis vezes o preço da propina, um custo "claramente incomportável"..De acordo com a deputada, que sucedeu a Nuno Crato na pasta da Educação, a situação pode comprometer a frequência do ensino superior para os estudantes com menor capacidade financeira..O governo anunciou na segunda-feira a reabilitação de 12 imóveis no âmbito do Plano Nacional de Alojamento para o Ensino Superior (PNAES), o que resultará em duas mil novas camas até 2021, num investimento estimado em 15 milhões de euros..Os imóveis a reabilitar localizam-se nas regiões de Aveiro, Coimbra, Covilhã, Évora, Guarda, Leiria, Lisboa, Portalegre, Porto, Vila Real e Viseu, informou o gabinete da secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Fernanda Rollo, em comunicado, indicando que as intervenções vão ser realizadas através de protocolos entre as instituições de ensino superior e a Fundiestamo, entidade que gere o Fundo Nacional para a Reabilitação do Edificado (FNRE).."Serão assinados brevemente os primeiros protocolos", avançou o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, revelando que o impacto da reabilitação de 12 imóveis encontra-se "estimado no acréscimo de 2.000 novas camas (700 em 2019, 900 em 2020 e 400 em 2021), com um investimento estimado em 15 milhões de euros, a assumir pela Fundiestamo através da constituição de subfundos".