PJ usou 69 quilos de cocaína como isco. Droga valia 14 milhões nas ruas

Uma operação conjunta das polícias portuguesa e espanhola levou à apreensão de 430 quilos de cocaína. Inspetores reviraram caixotes com quarenta toneladas de bananas para encontrarem a droga

Ninguém sabia onde estava a droga. A Polícia Judiciária portuguesa recebera um pedido de ajuda das autoridades espanholas: tinham recebido a informação de que iria chegar ao porto de Leixões um contentor proveniente da Colômbia carregado de bananas, mas que no seu interior escondia uma elevada quantidade de cocaína. Os investigadores portugueses inspecionaram dois contentores e reviraram centenas de caixotes - cada contentor tinha 20 toneladas de bananas. Um deles escondia a droga, dissimulada entre os cachos de fruta. Retiraram a droga à exceção de 69 quilos: o isco para detetarem os recetores da encomenda. O carregamento era de 430 quilos, com um valor de mercado (na rua) de cerca de 14 milhões de euros.

Oito pessoas foram detidas em Espanha e a investigação continua em marcha, disse ao DN o inspetor Alfredo Díaz, da Polícia Nacional espanhola, que esteve hoje em Lisboa na sede da PJ onde foram revelados pormenores da "Operação Falla".

O nome da investigação não está relacionado com uma "falha" no negócio dos narcotraficantes, mas sim com a zona geográfica da operação, a região de Ourense, em Espanha. Desde março de 2018 que uma equipa de vários investigadores espanhóis seguiam as movimentações de uma empresa de exportação de bananas que na verdade era uma fachada para o narcotráfico proveniente de um "grupo muito poderoso" de narcotráfico colombiano, explicou Vítor Ananias, coordenador de investigação criminal da UNCTE (Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes) da PJ.

Portugal é porta de entrada de droga colombiana

A empresa de exportação trabalhava para um grupo colombiano com sede em Madrid. Portugal era apenas um local de passagem da droga, que tinha como destino inicial Espanha. "Portugal, Espanha, França e Holanda, países periféricos da União Europeia servem de portas de entrada". Qual o destino final da droga é o que os investigadores espanhóis continuam a investigar.

São milhares os contentores de fruta que passam pelos portos portugueses todos os meses, mas a polícia portuguesa recebera uma pista das autoridades espanholas. Os inspetores portugueses trabalharam nesta operação um mês, o objetivo era a detenção em Espanha dos traficantes que iriam receber a encomenda, o que acabou por se concretizar.

"Como soubemos qual era o contentor? Recebemos pistas, mas também intercetamos chamadas telefónicas, fazemos vigilâncias", disse ao DN o inspetor Díaz, que sublinhou que este método, o de usar carregamentos de fruta para esconder droga, é muito utilizado pelos traficantes sul-americanos, como também são as embarcações clandestinas, embora nos últimos tempos os narcotraficantes tenham aproveitado os navios de cruzeiro para fazerem o transporte da mercadoria.

"Os contentores de fruta, como são refrigerados, não podem ser muitas vezes fiscalizados, e é por isso que os usam", disse ainda Vítor Ananias. Os traficantes apostam também no fator sorte, um contentor poderá passar. Desta vez não passou.

A investigação continua em Espanha e a polícia deste país não afasta a possibilidade de acontecerem mais detenções. A colaboração "quase diária" com as autoridades portuguesas é para continuar, uma vez que este não será o último contentor "contaminado" a tentar chegar à Europa através de Portugal.

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