Hells Angels: PJ captura mais um motard na Alemanha. Já são 59

A Judiciária ainda tem mandados de detenção europeus para prender outros elementos dos Hells Angels que escaparam à megaoperação de quarta-feira, que decorreu de norte a sul do país

Um dos membros dos Hells Angels alvo de mandado de detenção europeu foi detido esta madrugada na Alemanha, confirmou ao DN fonte oficial da PJ. Esta quarta-feira em conferência de imprensa, a responsável da Unidade Nacional de Contraterrorismo desta polícia, Manuela Santos tinha adiantado que, além dos 56 detidos confirmados nessa altura, havia "vários mandados de detenção europeus" para capturar outros elementos que não se encontravam em território nacional. Além do alemão, outros três foram, entretanto detidos, já depois desse encontro com os jornalistas, totalizando até ao momento 59 os elementos dos motards que vão começar a ser hoje ouvidos pelo tribunal.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, está em causa "criminalidade especialmente violenta e altamente organizada", tendo a PJ adiantado que todos os presos presos estão indiciados por crimes que vão desde a tentativa de homicídio, roubo, ofensa à integridade física, danos, associação criminosa, já que há vários inquéritos incorporados.

Entre os detidos estão todos os cerca de 40 que integraram o grupo responsável pelos atos violentos ocorridos, em março passado, no Prior Velho. Um grupo rival de motards, os Bandidos, estavam reunidos num restaurante para criar um clube em Portugal, tentando conquistar território aos Hells Angels. À cabeça destes estava Mário Machado, em liberdade condicional, ex-líder da fação mais violenta dos cabeças rapadas - os Portuguese Hammerskins - com um longo historial de conflitos com os Hells Angels. O grupo de Machado foi agredido violentamente pelos Hells Angels, tendo seis ficado feridos.

"Esta associação criminosa já existe em Portugal desde 2002 e é um fenómeno que tem vindo a crescer em número de pessoas e em manifestações mais violentas. No Prior Velho foi a primeira vez que houve uma manifestação tão poderosa e em força como uma associação criminosa", afirmou Manuela Santos, acrescentando que foi a primeira vez que atuaram em grupo "com o objetivo comum de eliminar a concorrência".

Na megaoperação da PJ foram executados cerca de oitenta mandados de busca e cumpridas dezenas de mandados de detenção (o número certo não foi divulgado) de suspeitos de integrarem esta estrutura criminosa, segundo a polícia constituída por indivíduos extremamente perigosos, com vastos antecedentes criminais e larga experiencia na área da criminalidade violenta e organizada.

Entre detidos estão cinco cidadãos estrangeiros, da Alemanha e da Finlândia, e vários elementos da segurança privada. "Foi uma machadada na organização", reconheceu Manuela Santos.

Esta operação policial foi a maior a nível mundial contra este grupo que as secretas portuguesas já tinham identificado como uma ameaça grave à segurança, tal como a própria Europol. Na Alemanha o grupo foi proibido em 2012.

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