Casal homossexual agredido violentamente em Coimbra

As agressões terão acontecido nas imediações de um centro comercial de Coimbra. Vítimas fizeram queixa à PSP

Um casal de homossexuais queixa-se de ter sido violentamente agredido por uma família, sábado à noite, em Coimbra, segundo avança o Jornal de Notícias.

"Estava no Alma Shopping, porque o meu namorado trabalha no Jumbo, e dei-lhe um beijo de despedida como qualquer outro dia em que ele vai trabalhar e eu vou levá-lo. E uma família - pai, mãe e dois filhos com cerca de 18 anos - começou logo com os insultos", contou Duarte ao JN.

O jovem de 24 anos, que garante ao DN que não conhecia os agressores, recorda que lhe chamaram "pedófilo - o que não faz qualquer sentido", porque o namorado "tem 21 anos" - e que disseram que os "iam matar".

À violência verbal seguiu-se a física. Duarte conta que "a mulher cuspiu na cara do namorado", enquanto o marido desta e o filho o atacavam.

"Atingiram-me com um alicate na cabeça, eu começo a sangrar, vou para o chão, e eles a dar pontapés ao meu namorado, também já no chão", descreveu ao JN.

Duarte partilhou a agressão de que foi vítima através da internet, num post público na rede social Facebook.

Na publicação lê-se que tudo "aconteceu no Alma Shopping, e que os seguranças só apareceram quando os agressores se foram embora".

Em comunicado, a superfície comercial de Coimbra demarca-se da situação, que reitera ter acontecido no exterior do espaço, e adianta terem prestado todo o auxílio possível às vítimas.

"Pelas 19:00 do dia 14 de julho, foi solicitado um pedido de auxílio à equipa de segurança do Alma Shopping no seguimento de distúrbios e agressões no exterior do centro, na rua D. João III. O segurança do centro procurou atuar de imediato, mas, chegado ao local, as perturbações já teriam terminado. No entanto foram prestados os primeiros socorros às vitimas pela equipa de vigilância do Centro. O Alma Shopping lamenta o sucedido e repudia qualquer tipo de violência ou coação contra terceiros. Desejamos a mais rápida recuperação física e psicológica das vítimas."

Confrontado pelo DN sobre o facto de o shopping defender que tudo se tinha passado na rua, Duarte explica: "As ofensas verbais foram fora, as físicas foram dentro. Fui atingido com o alicate dentro. O meu sangue caiu todo no chão, dentro. Nenhum segurança do Shopping apareceu até que os agressores se foram embora."

O jovem casal foi assistido pelo INEM, que os transportou até ao Hospital de Coimbra - onde levou "8 pontos por causa dos ferimentos do alicate" - e apresentou queixa à PSP, facto que a entidade policial confirmou ao DN.

Duarte tem esperança de que seja "feita justiça"

As investigações só irão começar amanhã, segunda-feira.

"A matrícula do carro foi entregue à PSP, há um vídeo dos agressores ao pé do carro deles que também foi entregue e suponho que o shopping tenha câmaras de vigilância. Eu pretendo que seja feita justiça, quero que quem passe por uma experiência destas não tenha medo de ser quem é. Nós podíamos ter recuado e ter ido embora mas não o fizemos porque nós não estávamos a fazer nada de errado. Não temos de mudar a nossa vida porque alguém não gosta", explicou ao DN.

Duarte namora há três anos e nunca se tinha sentido discriminado. Por isso, está a tentar "levar as coisas relaxadamente. Sempre tive demonstrações de afeto pelo meu namorado, como dar a mão ou um beijo ocasional. Nunca fui alvo de homofobia."

Fonte da PSP avança que este tipo de situações de violência não é comum em Coimbra.

*Notícia corrigida às 09.15 do dia 16 de julho

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

A Europa, da gasolina lusa ao palhaço ucraniano

Estamos assim, perdidos algures entre as urnas eleitorais e o comando da televisão. As urnas estão mortas e o nosso comando não é nenhum. Mas, ao menos, em advogado de Maserati que conduz sindicalistas podíamos não ver matéria de gente rija como cornos. Matéria perigosa, sim. Em Portugal como mais a leste. Segue o relato longínquo para vermos perto.Ontem, defrontaram-se os dois candidatos a presidir a Ucrânia. Não é assunto irrelevante apesar de vivermos no outro extremo da Europa. Afinal, num canto ainda mais a leste daquele país há uma guerra civil meio instigada pelos russos - e hoje sabemos, como não sabíamos ainda há pouco, que as guerras de anteontem podem voltar.

Premium

Marisa Matias

Greta Thunberg

A Antonia estava em Estrasburgo e aproveitou para vir ao Parlamento assistir ao discurso da Greta Thunberg, que para ela é uma heroína. A menina de 7 ou 8 anos emocionou-se quando a Greta se emocionou e não descolou os olhos enquanto ela falava. Quando, no final do discurso, se passou à ronda dos grupos parlamentares, a Antonia perguntou se podia sair. Disse que tinha entendido tudo o que a Greta tinha dito, mas que lhe custava estar ali porque não percebia nada do que diziam as pessoas que estavam agora a falar. Poucos minutos antes de a Antonia ter pedido para sair, eu tinha comentado com a minha colega Jude, com quem a Antonia estava, que me envergonhava a forma como os grupos parlamentares estavam a dirigir-se a Greta.

Premium

Margarida Balseiro Lopes

O governo continua a enganar os professores

Nesta semana o Parlamento debateu as apreciações ao decreto-lei apresentado pelo governo, relativamente à contagem do tempo de carreira dos professores. Se não é novidade para este governo a contestação social, também não é o tema da contagem do tempo de carreira dos professores, que se tem vindo a tornar um dos mais flagrantes casos de incompetência política deste executivo, com o ministro Tiago Brandão Rodrigues à cabeça.