450 inspetores da PJ estão no terreno em megaoperação para prender Hells Angels

Foram detidos 56 homens, quatro deles em flagrante delito. Entre os detidos estão cinco cidadãos estrangeiros, da Alemanha e da Finlândia

A Polícia Judiciária (PJ) está esta quarta-feira no terreno com cerca de uma centena de mandados de busca contra elementos do grupo de motards Hells Angels. A operação, da responsabilidade do Departamento Central de Investigação Criminal (DCIAP) decorre de norte a sul do país - Porto, Lisboa, Almada, Setúbal e Faro - e está a ser coordenada pela Unidade Nacional de Contraterrorismo (UNCT) da PJ.

Trata-se da maior operação mundial de sempre contra este gangue. Parte dos alvos são estrangeiros a residir em Portugal, com destaque para Lisboa e Faro.

Cerca de 450 inspetores foram envolvidos nesta megaoperação, considerada de elevado risco. Em causa estão principalmente crimes de associação criminosa, tentativas de homicídio e ofensas à integridade física graves. A PJ deteve 56 homens, quatro deles em flagrante delito. Entre os detidos estão cinco cidadãos estrangeiros, da Alemanha e da Finlândia, e vários elementos da segurança privada.

Investigação ganhou forma em 2016

Os Hells Angels têm estado sob a atenção da PJ desde há vários anos. Esta investigação ganhou forma a partir de 2016, quando os investigadores da UNCT começaram a reunir vários casos de violência a envolver elementos deste grupo.

Em março passado tudo se precipitou quando um grupo de cerca de 40 destes motards fora-da-lei - todos identificados pela PJ e alvo desta operação - invadiram, com barras de ferro, paus e facas, um restaurante no Prior Velho, para agredir um grupo rival. Neste grupo rival, os Bandidos, estava Mário Machado, com um historial de conflitos com os Hells Angels, do tempo em que liderava a fação mais violenta dos cabeças rapadas no nosso país, os Portuguese Hammerskins. Ambos os grupos de motards têm também ligações à extrema-direita violenta, com ostentação de símbolos neo-nazis por alguns dos seus elementos.

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