92% dos pensionistas estão insatisfeitos com o valor da reforma

A reforma chega em média aos 61 anos de idade e a maioria dos pensionistas recebem 605 euros.

A grande maioria dos pensionistas (92%) está insatisfeita com o valor da sua pensão que, em média, é de 605 euros, correspondendo a 62,1% do seu último salário, segundo a VI sondagem do Instituto BBVA de Pensões, divulgada esta quinta-feira.

De acordo com o trabalho, baseado em mil entrevistas telefónicas feitas em fevereiro a cidadãos com 60 ou mais anos de idade, "92% das pessoas abrangidas por uma pensão de reforma não consideram adequada a pensão que recebem mensalmente".

O valor médio da pensão é, segundo os dados, de 605 euros e os pensionistas começam a recebê-la, em média, aos 61 anos de idade, sendo que a média de rendimentos anterior à reforma entre as pessoas entrevistadas situava-se em 974 euros.

Sobre os futuros pensionistas, seis em cada 10 pessoas entrevistadas (64%) acreditam que as pensões de quem hoje tem entre 40 e 50 anos não estão garantidas ou serão menores do que as atuais.

"23% da população ativa aceitaria que a sua pensão fosse reduzida em 10% para garantir as pensões dessas gerações mais jovens"

"Existe uma preocupação elevada pelas pensões das gerações mais jovens. No entanto, apenas dois em cada dez dos que recebem pensão e 23% da população ativa aceitaria que a sua pensão fosse reduzida em 10% para garantir as pensões dessas gerações mais jovens", lê-se no documento.

Os dados mostram ainda que 44% dos pensionistas conheceram o valor da pensão antes do recebimento da mesma e, destes, 83% teve conhecimento com uma antecedência inferior a seis meses em relação à data da reforma.

Quanto à poupança, os dados indicam que 44% dos entrevistados tinham começado a poupar para a reforma e apenas 11% afirmam que teriam poupado mais se tivessem conhecido antecipadamente o valor da sua pensão.

Entre os que afirmam ter poupado ou que estão a poupar para a velhice, seis em cada dez fazem-no através de depósitos bancários.

Sobre a idade da reforma, 11% dos entrevistados tinham desejado reformar-se antes, em média aos 58 anos, enquanto 31% tinham desejado fazê-lo depois (em média, aos 65 anos) em relação à data em que se reformaram.

Mais de metade das pessoas entrevistadas (53%) considera necessária uma idade mínima de reforma, a qual se situa em média nos 60,6 anos.

Os resultados revelam ainda que 57% dos entrevistados consideram que as pensões atuais estão garantidas e que os recursos usados para pagar pensões são procedentes das contribuições dos trabalhadores atuais (36%) e das contribuições que os próprios fizeram enquanto trabalhavam (36%).

Por mês, 56% dos entrevistados disseram dispor de rendimentos do agregado familiar até mil euros, 22% afirmam que não conseguem manter a habitação com uma temperatura adequada, enquanto 56% apontam não poderem fazer face a gastos imprevistos superiores a 600 euros.

Nos últimos três meses, 32% dos entrevistados ajudaram economicamente algum membro da sua família.

O documento indica que 41% poupam a maior parte dos meses, sendo os principais motivos para a poupança os "imprevistos/emergências", "ajudar os/as filhos/as" e o facto de "não poderem valer-se a si mesmo/a no futuro".

Dos entrevistados, 80% têm habitação própria e os que são inquilinos pagam uma renda mensal média de 189 euros.

Um terço dos pensionistas proprietários de uma casa afirmam estar dispostos a vender, hipotecar ou arrendar a sua casa como recurso durante a reforma.

A venda (65%) e o arrendamento (30%) são os principais métodos contemplados para a obtenção de dinheiro extra durante a reforma.

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