Graça Freitas: "O convívio tem de ser diminuído. Estamos numa pandemia"

Diretora-geral da Saúde pediu, esta sexta-feira, aos portugueses que evitem contactos desnecessários, até de âmbito familiar, a origem da maioria dos novos casos de infeção pelo novo coronavírus. Portugal registou hoje 687 novos casos de covid.

"O convívio tem de ser diminuído, estamos numa pandemia". O alerta foi feito pela diretora-geral da Saúde, esta sexta-feira, em conferência de imprensa no ministério. Graça Freitas aproveitou o momento para relembrar que os contactos entre as pessoas geram casos de covid-19 e que a forma mais eficaz de prevenir infeções é o afastamento físico, mesmo dentro da família. Neste momento, a maioria dos surtos do novo coronavírus em Portugal têm origens familiares.

"Quando vamos ver [como surgiram] os surtos é: famílias, família, família e depois [de âmbito] social, laboral", explica a responsável pela Direção-Geral da Saúde (DGS). "As famílias têm de entender que, se vivem em casas diferentes, em núcleos diferentes, em bolhas diferentes, quando se juntam estão a juntar mundos diferentes e basta uma pessoa infetada" para contagiar as outras, continua.

Independentemente das outras medidas tomadas, "o convívio tem de ser diminuído. Estamos numa pandemia", lembra Graça Freitas, numa altura em que "os casos [de covid] estão a subir e todos temos de aumentar o nosso nível de alerta, de prevenção e de contenção".

"Os casos [de covid] estão a subir e todos temos de aumentar o nosso nível de alerta"

Nas últimas três semanas, o ritmo de propagação do vírus cresceu, atingindo valores registados em abril, nas primeiras semanas do confinamento (e estado de emergência). Esta sexta-feira, de acordo com o boletim epidemiológico da DGS, foram confirmadas mais três mortes e 687 novas infeções pelo novo coronavírus. É preciso recuar até ao dia 16 de abril, quando foram notificados 750 casos, para encontrar um valor mais elevado de contágios diários.

Máscaras. "Tomámos as medidas necessárias no tempo correto"

O distanciamento continua a ser a medida mais eficaz para evitar o contágio e, por isso, quando questionadas - diretora-geral e ministra da Saúde - sobre a recomendação da Câmara Municipal de Guimarães que quer tornar obrigatório o uso de máscara na rua, as autoridades de saúde relembraram que a medida só por si não chega. As máscaras ajudam a proteger, "mas não são milagrosas", apontou Graça Freitas. Há que continuar a garantir as medidas de etiqueta respiratória, higienização de superfícies e ventilação de espaços fechados, por exemplo.

"Neste momento, estamos a fazer o que fizemos sempre: a colher informações juntos dos especialistas e da literatura e só depois de haver mais valia é que recomendamos" as máscaras, continuou. No entanto, mesmo que passe a ser obrigatório o uso de máscaras em espaços ao ar livre - como acontece em Espanha, em algumas cidades francesas e italianas - "isto não é tudo ou nada", será sempre feita uma distinção entre uma rua movimentada e um lugar onde não haja praticamente pessoas.

"Sentimos que tomámos as medidas necessárias no tempo correto, que é o tempo da evidência, da consolidação, da ponderação. Queremos ser precoces, mas não queremos tomar medidas que sejam desproporcionais e afetar valores que sejam relevantes", acrescentou a ministra da Saúde, Marta Temido.

Fechar escolas "só em situações muito extraordinárias" e de "propagação comunitária intensa"

Durante a conferência de imprensa, foi ainda abordado o tema do regresso às aulas - agendado, no ensino público, para a próxima semana. Graça Freitas voltou a referir que o encerramento de um estabelecimento de ensino deve ser entendido como uma solução de último recurso, e que só poderá ser tomada pelas autoridades de saúde locais com a DGS por ser "uma grande responsabilidade".

"A intenção é que encerrar na totalidade uma escola seja uma exceção. Há mecanismos que vão ser adotados e estão previstos para que essa escola possa ser encerrada" e estes exigem uma "grande circulação de casos dentro de uma escola" ou "uma propagação comunitária intensa", esclareceu Graça Freitas.

Impera a ponderação sobre o nível de difusão do contágio: "um caso, dois ou três numa escola, que vivam isolados não têm o mesmo impacto do que um, dois ou três que comuniquem muito com outras pessoas, que passem de sala para sala, que partilhem refeições", explica a diretora-geral da Saúde. "Vamos tentar ser cirúrgicos no nosso procedimento".

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