Coronavírus. Governo admite fechar fronteiras e impor quarentena forçada a doentes infetados

A secretária de Estado da Administração Interna, Patrícia Gaspar, disse à TSF que o "fecho de fronteiras ainda não foi identificado como absolutamente essencial", mas que poderá ser uma das opções tomadas.

A secretária de Estado da Administração Interna, Patrícia Gaspar, revelou à TSF que não estão descartados o encerramento de fronteiras e a imposição de quarentena forçadas a doentes infetados com Covid-19.

"Neste momento, o fecho de fronteiras ainda não foi identificado como absolutamente essencial; se o for, é praticamente garantido que as autoridades o avaliarão e poderá ser essa uma das opções tomadas", admitiu, frisando que "todas as medidas que se venham a provar eficientes para a contenção do vírus terão que ser ponderadas" pelo governo português.

Relativamente à possibilidade de quarentenas forçadas, Patrícia Gaspar crê que "não será necessário", mas garante que o governo estará em condições de as garantir. "Até aqui, todas as situações [de isolamento] que foram decretadas têm contado com toda a colaboração por parte dos portugueses", lembrou, destacando a "forma solidária e cooperante com que todos os visados têm reagido".

A secretária de Estado da Administração Interna disse que há lições a tirar do caso italiano, que regista já mais de 7 mil casos e 366 mortes devido ao novo coronavírus. "Há um trabalho enorme que tem de ser feito e que é fundamental ao nível da contenção e da preparação para enfrentar um desenvolvimento mais sério e mais complexo da situação", salientou, ainda que revele dificuldades para garantir a contenção do vírus.

"Sabemos que a contenção total é praticamente impossível, é muito difícil. Eventualmente, conseguiremos chegar ao ponto em que a situação se inverta. Para já, a grande aposta tem de ser em tentar travar a disseminação e, obviamente, tratar devidamente as pessoas que possam vir a ser contaminadas", concluiu.

Cerca de 110 mil pessoas foram infetadas em mais de uma centena de países, e mais de 62 mil recuperaram. Nos últimos dias, a Itália tornou-se o caso mais grave de epidemia fora da China, com 366 mortos e mais de 7.300 contaminados pelo novo coronavírus, que pode causar infeções respiratórias como pneumonia. Para tentar travar a epidemia, o Governo de Roma colocou cerca de 16 milhões de pessoas em quarentena no norte do país, afetando cidades como Milão, Veneza ou Parma.

Portugal regista 31 casos confirmados de infeção. Face ao aumento de casos, o Governo ordenou a suspensão temporária de visitas em hospitais, lares e estabelecimentos prisionais na região Norte.

Foram também encerrados alguns estabelecimentos de ensino secundário e universitário no Norte, bem como na Amadora e em Portimão. Em Felgueiras e Lousada, foram encerrados ginásios, bibliotecas, piscinas e cinemas, além de todas as escolas. Os residentes naqueles dois concelhos do distrito do Porto foram aconselhados a evitar deslocações desnecessárias.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, iniciou no domingo um período de isolamento de duas semanas em casa, depois de ter estado com alunos de uma escola de Felgueiras onde foi detetado um caso de infeção. Apesar de não ter sintomas da doença, Marcelo Rebelo de Sousa, 71 anos, vai fazer esta segunda-feira um teste ao Covid-19.

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