Furacão Lorenzo destruiu o Porto das Lajes das Flores

Período crítico mantém-se até às 9.00 horas locais (10.00 em Lisboa). Proteção Civil avalia estragos no Porto das Lajes das Flores.

A passagem do furação Lorenzo pelo arquipélago dos Açores provocou a destruição do Porto das Lajes das Flores. Em declarações ao Açoriano Oriental, o capitão do Porto de Santa Cruz das Flores, Rafael da Silva, explicou que "o molhe do porto ficou destruído e há uma série de edifícios que estão destruídos. Existem também embarcações e contentores que não resistiram à força do mar, assim como cerca de quatro embarcações de pesca, a lancha de passageiros da Atlânticoline e a própria lancha da Autoridade Marítima, que por incrível que possa parecer foi a que menos sofreu".

A destruição do único porto comercial da ilha das Flores é, até agora, o maior dano material provocado pela passagem do Lorenzo pelos Açores. Rafael da Silva afirma que agora é hora de "avaliar o que se pode aproveitar e enfrentar o problema logístico que se irá colocar às ilhas do Grupo Ocidental e para isso a Autoridade Marítima está disponível para colaborar com todas as entidades". Nesta altura a Autoridade Marítima está a avaliar eventuais estragos que possam ter acontecido no cais das poças.

44 pessoas realojadas

O presidente da Câmara da Horta, nos Açores, revela que foram realojadas 44 pessoas na ilha do Faial, devido à intensidade das ondas na freguesia de Angústias, tendo sido registadas 70 ocorrências devido à passagem do furacão "Lorenzo".

Em declarações à agência Lusa, pelas 10:30 locais (mais uma hora em Lisboa), José Leonardo Silva adiantou que no trabalho de verificação feito até ao momento foram "realojadas 44 pessoas", um número que ultrapassa o último balanço do Serviço Regional da Proteção Civil, avançado às 10:00 locais, que dava conta de um total de 39 desalojados. "Estamos no rescaldo. Há máquinas no terreno porque tivemos algumas vias encerradas. Estamos a abrir para haver acessibilidade em toda a volta da ilha", explicou José Leonardo Silva.

O autarca frisa, no entanto, que este número poderá "subir ou reduzir" consoante se souber se as casas "sofreram ou não muitos danos". Embora considere que "o pior já terá passado", o autarca lembrou a necessidade de a população "proceder conforme os avisos da Proteção Civil para manter a sua segurança", frisando que a Proteção Civil deve fazer o seu trabalho "até ao fim, com muito cuidado e atenção".

A maior parte dos desalojamentos registou-se na cidade da Horta, na ilha do Faial, uma das mais fustigadas, devido a um "galgamento do mar na zona da Avenida 25 de Abril". No concelho das Lajes do Pico, na ilha do Pico, foram "retirados das suas habitações 100 habitantes", por precaução.

"Deveu-se nomeadamente a dois fatores - umas situações em São Jorge e nas Flores, que tiveram a ver com infiltração de água nas habitações, com o levantamento das telhas, e depois temos a situação de 19 pessoas na cidade da Horta, que necessitaram ser realojadas, porque houve galgamento do mar na zona da Avenida 25 de Abril", adiantou aos jornalistas o presidente do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores, Carlos Neves.

Entre as 128 ocorrências registadas contam-se ainda quedas de árvores e estradas cortadas. Carlos Neves confirma que até ao momento só foram registados "danos materiais". "Há que frisar no meio deste número considerável de ocorrências que não se registou nenhum ferido, nenhuma vítima e isso é o que nos deixa mais descansados", apontou o presidente da Proteção Civil.

O furacão Lorenzo provocou ainda "alguns cortes de energia na zona de Santa Cruz das Flores", bem como problemas "nas redes de telemóvel e de comunicações", que deverão ser corrigidas "ao longo dos dias".

O pior já passou

A rajada máxima registada pelo IPMA foi de 163 km/h, no Corvo, às 8:25.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) dos Açores declarou que o período crítico do furacão "Lorenzo" decorria até às 9:00 da região (10:00 em Lisboa), afetando maioritariamente as ilhas das Flores e do Corvo. "O centro do furacão já passou" a oeste da ilha das Flores, e encontra-se a caminho de norte/noroeste, "com tendência a afastar-se" progressivamente da ilha do grupo ocidental, declarou a meteorologista Vanda Costa à agência Lusa, falando pouco depois das 5:30.

O primeiro-ministro, António Costa, disse perto das 9:00 de Lisboa (8:00 na região) que a situação de maior risco estava já ultrapassada.

(notícia atualizada às 12:50)

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