DGS. "Não nos parece possível 55 mil pessoas no santuário" de Fátima

Graça Freitas referiu, em conferência de impressa, que os responsáveis pelo santuário de Fátima vão reunir-se com o secretário de estado da Saúde para preparar a peregrinação de outubro, mas ainda não está nada decidido.

A diretora-geral da Saúde disse, esta quarta-feira, em conferência de imprensa, que as autoridades ainda não deram nenhum parecer sobre a quantidade máxima de pessoas que poderão estar presentes no Santuário de Fátima para a peregrinação de 13 de outubro. E, ao contrário do que tem sido mencionado, Graça Freitas não considera que possa haver 55 mil pessoas dentro do recinto, com o número de casos de covid-19 a aumentar no país.

"A Direção-Geral da Saúde (DGS) não sabe de onde surgiu o número 55 mil. Não nos chegou nenhum parecer, nenhuma planta do santuário", confirmou Graça Freitas, acrescentando que a reunião solicitada pelo santuário ao secretário de estado da Saúde, António Lacerda Sales, ainda não se realizou. Ou seja, nenhuma "autoridade de saúde foi consultada" até ao momento.

Graça Freitas mostrou-se disponível para colaborar com a Igreja tendo em vista a prevenção de eventuais enchentes, como na peregrinação do passado domingo (13 de setembro), quando o santuário teve de encerar as portas por haver demasiadas pessoas no recinto. Apesar da porta-voz da instituição garantir que os peregrinos respeitaram as regras sanitárias, o santuário não estava a contar com tantas pessoas.

A diretora-geral da Saúde diz que um número como o que tem sido divulgado por vários meios de comunicação social nos últimos dias, a rondar os 50 mil cidadãos, não lhe parece adequado à primeira vista e não sabe "de onde veio esse número".

"Não nos parece expectável que seja possível 55 mil pessoas no santuário", numa altura em que a pandemia acelera no país.

O mesmo valor foi, esta terça-feira, comentado pelo Presidente da República, que assumiu não concordar com grandes ajuntamentos, independente da sua natureza. Marcelo Recebo de Sousa apontou que acredita no trabalho das autoridades de saúde, mas considerou não ser o momento para que 50 mil pessoas se reúnam, mesmo num espaço amplo.

Ainda durante a conferência de imprensa, a diretora-geral da Saúde disse que está a ser criada uma nova orientação sobre eventos de massas. "Temos de emitir uma indicação diferente e depois esse referencial vai ser adaptado às nossas circunstâncias epidemiológicas", declarou Graça Freitas.

A responsável pela DGS indicou que este tipo de eventos "são de facto propícios" ao contágio, mas, em Portugal, "têm acontecido muitíssimo poucos", uma vez que não se pode considerar que "os espetáculos em teatros e cinemas sejam eventos de massas". Por isso, Graça Freitas não tem "conhecimento de cadeias de transmissão associadas a eventos de massas até à data".

Escolas. "Têm havido casos isolados" mas isso era "expectável"

Sobre o início do novo ano letivo, que começou na segunda-feira, a diretora-geral da Saúde disse que está tudo a correr dentro da normalidade.

Graça Freitas explicou que "têm havido casos isolados", quer de alunos, quer de professores, que já estariam infetados antes do regresso às aulas, mas estas infeções não têm perturbado o normal funcionamento das escolas. "Isso era expectável, temos casos na comunidade, nas famílias".

Redução do período de isolamento está a ser estudada

Atualmente, o período de isolamento profilático é de 14 dias, em Portugal, mas a diretora-geral da Saúde diz que está a ser estudada a hipótese de este ser reduzido, se se comprovar que o risco não aumenta. A decisão será sempre tomada "com equilíbrio e com segurança garantida".

"Os dez dias são mais ou menos consensuais para as pessoas positivas. Mesmo os franceses, que encurtaram para sete dias em relação aos doentes, em relação aos contactos dos doentes testam ao sétimo dia e, eventualmente, se o teste for negativo, só libertam essa pessoa do isolamento ao décimo dia", explicou a diretora-geral da Saúde.

Em Portugal, nas últimas 24 horas, morreram mais três pessoas e foram confirmados mais 605 casos de covid-19 (um crescimento de 0,9% em relação ao dia anterior). Segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) desta quarta-feira (16 de setembro), no total, desde que a pandemia começou, registaram-se 65 626 infetados, 44 528 recuperados (mais 166) e​ 1 878 vítimas mortais no país.

Há, neste momento, 19 220 doentes portugueses ativos a ser acompanhados pelas autoridades de saúde, mais 436 do que ontem.

O país tem 209 surtos ativos, informou a ministra da Saúde. O Norte é a região com o maior número de cadeias de transmissão: 146. Depois, Lisboa e Vale do Tejo (96), Centro (20), Algarve (17) e Alentejo (11).

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