Anúncio de Marta Temido. Mais de 3.200 profissionais de saúde foram infetados

Ministra da Saúde garante que os dados de que dispõe mostram que muitos destes contágios "não aconteceram em contexto laboral, mas em contexto social ou domiciliário".

Mais de 3.200 profissionais de saúde foram infetados com covid-19, um terço dos quais enfermeiros, e muitos dos contágios aconteceram em contexto social ou domiciliário, anunciou nesta quarta-feira a ministra da Saúde.

Marta Temido, que está a ser ouvida na Comissão Parlamentar de Saúde, disse que os dados do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SINAVE) indicam que foram infetados 3.259 profissionais de saúde, 480 dos quais médicos e 1.069 enfermeiros.

Os dados registados até terça-feira indicam também que foram ainda infetados na área da saúde 896 assistentes profissionais, 159 assistentes técnicos e 105 técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica.

A ministra disse ainda que os dados de que dispõe mostram que muitos destes contágios "não aconteceram em contexto laboral, mas em contexto social ou domiciliário".

Questionada pela deputada Diana Cunha, do PAN, a governante reconheceu alguns problemas iniciais na informação disponível no SINAVE, com "dois módulos de uma aplicação que não integravam a informação", mas sublinhou que "esse trabalho de integração tem sido realizado" e que os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SMPS) já conseguiram "alguns progressos e algumas integrações entre SINAVE e a plataforma Trace Covid".

Marta Temido adiantou que há instituições a desenvolver outras aplicações que poderão ter um uso dependente da vontade individual de cada um para as descarregar para o telemóvel, sublinhando sempre as questões da proteção de dados.


Contratação de pessoal na saúde teve peso de 100 milhões para quatro meses


As contratações de pessoal na área da Saúde para fazer face ao combate à pandemia de covid-19 representaram um acréscimo de 100 milhões de euros para apenas quatro meses, anunciou a ministra Marta Temido.

Durante a audição na Comissão Parlamentar de Saúde, a ministra da Saúde sublinhou o esforço feito para reforçar o Serviço Nacional de Saúde (SNS), designadamente para permitir uma resposta à pandemia, que na área dos recursos humanos representou um peso de 100 milhões de euros para quatro meses, "independentemente de renovações futuras", que a governante não afastou.

"O reforço nos últimos anos permitiu ter um SNS mais pronto para responder a este momento difícil. Este ano, o que era o orçamento de início do ano já tinha um reforço, pela primeira vez, da despesa total efetiva consolidada, que é de mais de 11 mil milhões de euros", disse a ministra, sublinhando que o orçamento financiado por impostos comparado com o ano passado aumentou mais de 940 milhões.

Marta Temido sublinhou os vários reforços e injeções no SNS, destacando os 256 milhões para compensar os pagamentos em atraso.

A ministra falou da necessidade de reforço da confiança dos portugueses na utilização do SNS, não deixando de procurar o serviço sempre que necessário, na recuperação das consultas e cirurgias adiadas por causa da pandemia e disse que 36 hospitais já enviaram planos de recuperação, reagendando 30% das cirurgias e 40% das consultas.

Marta Temido, anunciou que está a ser analisado o que poderá ser o reforço do país em capacidade de testes para uma eventual segunda onda de covid-19.

Na intervenção inicial, a ministra afirmou que, com esta pandemia, o SNS teve "uma das suas maiores provas da sua existência", "descobriu a sua força e reinventou-se".

Referiu ainda que ao longo do último ano a receita do SNS "cresceu significativamente, revertendo tendência de decréscimo de anos anteriores" e apontou um "incremento mensal de 65 milhões de euros no orçamento do SNS".

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