76 mortos e 4268 casos de covid-19 em Portugal. "Pico não será um momento isolado no tempo, mas um planalto"

Os dados atualizados no boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde desta sexta-feira revelam um aumento de 20% dos infetados em relação ao dia de ontem. Estão internadas 354 pessoas, 71 nos cuidados intensivos.

Travar o contágio não será possível para já, por isso a prioridade continua a ser conter e achatar a curva epidemiológica do novo coronavírus. "É crucial que as pessoas não adoeçam todas ao mesmo tempo", dizia, esta quinta-feira, o secretário de Estado da Saúde António Lacerda Sales. O mais recente balanço da Direção-Geral da Saúde (DGS), divulgado esta sexta-feira (27 de março), que inclui os dados recolhidos até às 24:00 do dia anterior, aponta para 4268 infetados (um aumento de 20% em relação a ontem), 76 mortos e 43 recuperados da infeção causada pela covid-19. Nas últimas 24 horas, foram confirmados mais 724 casos e registadas mais 16 mortes em Portugal.

"A nossa maior arma continua a ser o isolamento social. Este não é tempo de complacência. É tempo de resistência", disse António Lacerda Sales, em conferência de imprensa, esta sexta-feira, no ministério da Saúde. "A sociedade tem de se organizar para evitar o contacto entre pessoas. Por exemplo, em cada vila, aldeia, localidade existem lares de idosos e uma medida preventiva poderia ser, antes de aparecer um caso, haver forma de desdobrar a população do lar em duas divisões", acrescentou a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas.

Estão internadas 354 pessoas, 71 nos cuidados intensivos. Ou seja, "89% dos casos encontram-se no seu domicilio", refere o secretário de Estado da Saúde. Aguardam resultados laboratoriais 3995 cidadãos e 19816 estão em vigilância pelas autoridades de saúde.

Ainda durante a conferência de imprensa de hoje, Graça Freitas afirmou que "há uma tendência para termos retardado a velocidade com que a curva [epidemiológica] está a subir. Há medida que retardamos a curva, o pico vai diferindo". Por isso, a diretora-geral da saúde prevê que "o pico não será um momento isolado no tempo, mas um planalto. Poderá durar duas semanas. Sabemos que a doença dura muito tempo, é o que está a acontecer em outros países", acrescentando que o pico nunca será antes de maio.

Até agora, a taxa de letalidade portuguesa - cerca 1,8% de acordo com a informação prestada por Graça Freitas - está abaixo da maioria dos países (2%). "O aumento [da morbilidade] é um aumento expectável tendo em conta o período de doença", disse. 87% dos mortos registados em Portugal dizem respeito a pessoas com mais de 70 anos (os mais infetados também) e a maioria das vitimas mortais são do sexo masculino: 43 homens e 27 mulheres.

Já o aumento do número de infetados também pode estar ligado ao crescimento da capacidade de testagem. "Têm sido testadas cada vez mais pessoas. Ontem foram cerca de 2500 pessoas para uma capacidade de testagem de cerca de 5600", apontou o secretário de Estado da Saúde.

Quanto aos sintomas confirmados entre os doentes de covid-19, mais de metade das pessoas (60%) revelam tosse, 51% febre, 35% dores musculares, 28% cefaleia, 24% fraqueza generealizada e 19% dificuldades respiratórias.

Norte, a região mais afetada

A região mais afetada do país continua a ser o norte (2443 casos, 33 mortes), depois Lisboa e Vale do Tejo (1110, 24 mortes). Seguem-se o centro (520, 18 mortes), o Algarve (99, uma morte), o Alentejo (30), os Açores (24 casos) e a Madeira (21).

Numa análise mais fina da caracterização demográfica, o Porto (317 casos), Lisboa (284), Vila Nova de Gaia (262), Maia (171) e Gondomar (149) são os concelhos onde existem o maior número de infetados com o novo coronavírus. Sendo que até ao dia de ontem era Lisboa que liderava esta tabela.

Mais de 4500 médicos vão reforçar o SNS

O bastonário da Ordem dos Médicos apelou a todos os inscritos no organismo que se mobilizassem na luta contra a covid-19: "Ser médico é estar na linha da frente nos momentos difíceis e tentar influenciar favoravelmente o rumo dos graves problemas que assolam a nossa população, com espírito de solidariedade e grande sentido humanista para com a nossa sociedade e, acima de tudo e sempre, para com os nossos doentes", escreveu Miguel Guimarães. E estes profissionais de saúde não ficaram indiferentes. Num comunicado, divulgado esta sexta-feira, pela Ordem é anunciado que mais de 4500 médicos responderam ao pedido para reforçar o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

A listagem tem vindo a ser partilhada com o ministério da Saúde para que se proceda à reorganização dos serviços, permitido até um maior equilíbrio entre os períodos de trabalho e de descanso dos profissionais de saúde. À semelhança do que tem acontecido também na Ordem dos Enfermeiros, que já indicou a disponibilidade de cerca de 1200 enfermeiros para aumentar a capacidade do SNS.

"É urgente que estes médicos, que prontamente responderam a este apelo humanista e solidário, tenham uma resposta e que se organizem os serviços a contar também com o seu apoio, permitindo um melhor equilíbrio entre períodos de trabalho e descanso", sublinha o bastonário dos médicos.

António Lacerda Sales garante que "muitos destes já estão a prestar serviço nas diferentes instituições" e agradece o empenho e disponibilidade dos profissionais de saúde.

Mais de meio milhão de infetados no mundo

549 147 pessoas foram infetadas com covid-19 no mundo inteiro (até às 11:30 desta sexta-feira). Entre estas, morreram 24 863 e recuperam 128 623, segundo fontes oficiais. Os Estados Unidos da América são agora o pais com mais casos confirmados - 85 749 - ultrapassando a China (81 340), onde o surto começou no final do ano passado. Segue-se a Itália com 80 589, o país com o maior número de mortes registadas no mundo: 8 215, e depois a Espanha, que atualizou há pouco os dados.

As autoridade de saúde espanholas confirmaram, esta sexta-feira, mais 769 novas mortes causadas pelo novo coronavírus, elevando o número de óbitos a 4 858. O total de casos confirmados subiu no último dia para 64 059, com mais 7871 novas infeções registadas. Estão internados nos cuidados intensivos mais de quatro mil cidadãos.

Recomendações da DGS

Para que seja possível conter ao máximo a propagação da pandemia, a Direção-Geral da Saúde continua a reforçar os conselhos relativos à prevenção: evite o contacto próximo com pessoas que demonstrem sinais de infeção respiratória aguda, lave frequentemente as mãos (pelo menos durante 20 segundos), mantenha a distância em relação aos animais e tape o nariz e a boca quando espirrar ou tossir (de seguida lave novamente as mãos).

Em caso de apresentar sintomas coincidentes com os do vírus (febre, tosse, dificuldade respiratória), as autoridades de saúde pede que não se desloque às urgências, mas sim para ligar para a Linha SNS 24 (808 24 24 24).

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