13 343 doentes portugueses com covid-19. Casos ativos estão a aumentar há sete dias

O boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde de hoje regista mais 232 casos de infeção pelo novo coronavírus e seis mortes. Internados voltam a aumentar.

Em Portugal, nas últimas 24 horas, morreram mais seis pessoas e foram confirmados mais 232 casos de covid-19 (um aumento de 0,5% em relação ao dia anterior). Segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) desta segunda-feira (6 de julho), no total, desde que a pandemia começou registaram-se 44129 infetados, 29166 recuperados (mais 149) e​​​​ 1620 vítimas mortais no país.

Há, neste momento, 13 343 doentes portugueses ativos a ser acompanhados pelas autoridades de saúde. Mais 77 do que este domingo. Hoje, é o sétimo dia consecutivo em que este indicador apresenta uma tendência crescente.

Também o número de internados continua a aumentar. Estão hospitalizados 513 doentes, o que representa mais nove que ontem. Nos cuidados intensivos encontram-se 74 pessoas com covid-19 (mais um).

A região de Lisboa e Vale do Tejo é mais uma vez onde se localiza a maioria dos novos casos, apesar do secretário de estado da Saúde, António Lacerda Sales, já falar numa "estabilidade com uma ligeira tendência decrescente" na zona.​​​​​ ​​​​​

195 dos 232 novos infetados (84%) têm residência na Grande Lisboa. Tal como três dos seis óbitos notificados no último dia. Os restantes estão localizados no Alentejo (onde morreram duas pessoas) e no Norte (uma).

Os restante infetados distribuem-se pelo Norte (que apresenta hoje mais 18 casos), pelo Alentejo (12) e pelo Algarve (um).

A taxa de letalidade global do país encontra-se hoje nos 3,7%.

O boletim da DGS indica ainda que aguardam resultados laboratoriais 1182 pessoas e estão em vigilância pelas autoridades de saúde mais de 31 mil. O sintoma mais comum entre os infetados é a tosse (que afeta 37% dos doentes), seguida da febre (28%) e de dores musculares (21%).

Sem informação por concelho, mas "vigilância epidemiológica em Portugal nunca foi tão escrutinada"

Esta segunda-feira, o boletim volta a não apresentar resultados por concelho, uma vez que a DGS suspendeu esta informação temporariamente para fazer ajustes necessários. Em conferência de imprensa, a diretora-geral da Saúde lembrou que o SINAVE - o sistema onde médicos e laboratórios colocam o reporte dos testes seja de despiste ou de cura - "é complexo e tem vindo a ser afinado".

Apesar disto, Graça Freitas garante que o número total de casos confirmados no país nunca esteve em causa. "Portugal há mais de 125 dias que reporta ininterruptamente o total de casos por dia. Muitos países não reportam com esta regularidade. Creio que temos de estar muito orgulhosos do caminho que fomos fazendo."

"A vigilância epidemiológica em Portugal nunca foi tão escrutinada", continua a responsável pela DGS.

Na origem do atraso está a confirmação de 200 casos em simultâneo de um laboratório privado que esteve três dias sem notificar. Se a nível nacional isto implica apenas aumentar as duas centenas de infetados, a nível municipal é preciso mais tempo para os distribuir pelos locais exatos de residência, para além de haver "mais fontes a reportar", como hospitais ou centros de saúde, segundo Graça Freitas.

A atualização destes dados não tem uma data concreta para terminar, "Vamos esperar os dias que sejam necessários para todos os dias estarem confortáveis", assumiu a diretora-geral da Saúde, sem deixar de referir que "não é por haver ou não números publicados que se deixa de atuar".

Para além da informação sobre a localidade de residência dos infetados, também a tabela da faixa etária dos casos foi congelada temporariamente, informou a DGS.

Instituto Ricardo Jorge está a preparar novos estudos serológicos

O estudo nacional que procura saber que franja da população já desenvolveu anticorpos contra o vírus terá "resultados preliminares ainda este mês", durante a segunda quinzena, estimou o presidente do Conselho Diretivo do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), Fernando Almeida, durante a conferência de imprensa.

A recolha das amostras terminou na passada sexta-feira, tendo os laboratórios reunido 2100 análises de pessoas de todas as idades e regiões do país.

Os resultados ainda estão por apurar, mas o INSA já está a preparar três novos estudos sobre imunidade à covid-19, dedicados a profissionais de saúde infetados, a mães e recém-nascidos, anunciou Fernando Almeida.

Olhando para os doentes infetados com o novo coronavírus, o objetivo do INSA, segundo Fernando Almeida, passa por perceber o nível de anticorpos e o nível de imunização decorrentes da doença, e no caso das grávidas e recém-nascidos perceber se uma mãe que tenha estado infetada pode ou não transmitir anti-corpos ao bebé.

Sobre o estudo dedicado a profissionais de saúde, o presidente do Insa afirmou que o instituto português já foi abordado pela Organização Mundial de Saúde, que demonstrou interesse no projeto e se manifestou disponível para apoiar com recursos materiais.

Cientistas alertam OMS: covid pode transmitir-se pelo ar

239 cientistas de 32 países estão a preparar uma carta aberta à Organização Mundial de Saúde (OMS) apelando a que haja uma alteração das recomendações de proteção contra a covid-19. Em causa está a possibilidade da infeção ser transmitida através de pequenas gotículas suspensas no ar, avança o jornal norte-americano The New York Times.

"Especialmente nos últimos dois meses, temos dito que acreditamos que a transmissão aérea é possível, mas não é suportada por provas fortes ou claras", afirma Benedetta Allegranzi, técnica da Organização Mundial de Saúde para o Controlo de Infeções.

No entanto, quer o vírus seja transportado por grandes partículas após espirros ou por partículas muito menores expelidas e capazes de atravessar uma sala, os cientistas acreditam que o coronavírus esteja no ar e seja capaz de infetar quando inalado. E este dado novo poderá mudar todos os protocolos de segurança sanitária.

11,5 milhões de casos de covid no mundo

O novo coronavírus já infetou mais de 11,5 milhões de pessoas no mundo inteiro até esta segunda-feira e provocou 537 179 mortes, segundo dados oficiais. Há agora 6,5 milhões de recuperados.

No total, os Estados Unidos da América são o país com a maior concentração de casos (2 983 155) e de mortes (132 571). Em termos de número de infetados, seguem-se o Brasil (1 604 585), a Índia (699 402) e a Rússia (687 862). Portugal surge em 39.º lugar nesta tabela.

Quanto aos óbitos no mundo, depois dos Estados Unidos, o Brasil é a nação com mais mortes declaradas (64 900). Seguem-se o Reino Unido (44 220) e a Itália (34 861).

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