Grande Lisboa ultrapassa Norte e concentra 82 % dos novos contágios

Segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) desta quarta-feira (24 de junho). Região de Lisboa e Vale do Tejo regista mais 302 casos do que na terça-feira.

No total, existem 40 104 casos de covid-19 em Portugal e 1543 pessoas já morreram devido à doença, desde o início da pandemia. São dados do boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) desta quarta-feira (24 de junho). A registar que 26 083 pessoas já recuperaram da infeção.

Em comparação com os dados de terça-feira, hoje constatou-se um aumento de óbitos de 0,2%. Já os casos de infeção subiram 0,9%.

São mais três mortos relacionados com a covid-19 do que na terça-feira e mais 367 infetados, a maioria na Região de Lisboa e Vale do Tejo.

Na região de Lisboa e Vale do Tejo, onde se tem registado o maior número de surtos, a pandemia de covid-19 atingiu os 17.527 casos confirmados, mais 302 do que na terça-feira, o que corresponde a 82% dos novos contágios.

A Região de Lisboa e Vale do Tejo ultrapassou pela segunda vez, desde o início da pandemia, a Região Norte (acontecera em março), com 17.527 casos positivos esta quarta-feira contra os 17.339 registados na Região Norte.

O Norte regista 17.339 infeções e 814 mortos, o Centro 4.042 casos confirmados e 248 óbitos, o Algarve 15 mortos e 552 pessoas infetadas e o Alentejo dois mortos e 406 pessoas com covid-19.

Os Açores apresentam 146 casos de infeção pelo novo coronavírus SARA-Cov-2 e 15 mortes, enquanto a Madeira tem 92 pessoas infetadas e mantém-se sem qualquer óbito registado.

Do total de pessoas infetadas em Portugal, 429 estão internadas, menos 12 do que na terça-feira (-2,8%). O número de doentes internados em unidades de cuidados intensivos subiu para 73 (mais um).

Na distribuição dos casos infetados por concelhos, Lisboa é o que regista o maior número de casos (3.238), seguido por Sintra (2.370), Loures (1.707), Vila Nova de Gaia (1.628), Amadora (1.511), Porto (1.414), Matosinhos (1.292), Braga (1.256), Odivelas (1017) e Maia (950).

Os dados do relatório da DGS indicam que, do total de mortes registadas até hoje, 777 são mulheres e 766 homens.

Quase seis mil casos entre os 20 e os 29 anos

Por faixa etária, o maior número de mortes regista-se entre as pessoas com 80 ou mais anos (1.033), seguida pela faixa entre os 70 e os 79 anos (298). Entre a população com idades compreendidas entre os 60 e 69 anos há 141 mortes.

Os dados da DGS registam ainda 49 mortes na faixa etária entre os 50 e os 59 anos, 18 entre os 40 e os 49 anos, duas entre os 30 e os 39 anos e duas na faixa etária dos 20 aos 29 anos.

Relativamente ao total de casos de infeção, os dados apontam que 22.540 são mulheres e 17.564 homens.

A faixa etária mais afetada pela doença é a dos 40 aos 49 anos (6.720), seguida da faixa entre os 50 e os 59 anos (6.389) e das pessoas com idades compreendidas entre os 30 e os 39 anos (6.329).

Nas faixas etárias mais jovens, entre os 20 e os 29 anos, registam-se 5.790 casos e, entre os 10 e os 19 anos, 1.569.

Nas crianças até aos nove anos verificam-se 1.090 casos, precisam os dados da Direção-Geral da Saúde.

Segundo a DGS, 37% dos doentes apresentaram tosse, 28% febre, 21% dores musculares, 20% cefaleia, 15% fraqueza generalizada e 10% dificuldade respiratória.

A aguardar resultado laboratorial de testes estão 1.586 pessoas e em vigilância pelas autoridades de saúde estão 30.935.

Desde o dia 01 de janeiro, Portugal registou 368.967 casos suspeitos, refere o boletim, adiantando que há 26.083 pessoas dadas como recuperadas, mais 254 do que na terça-feira.

Políticos e especialistas reunidos para avaliar situação em Lisboa

Portugal vai comprar mais dois milhões de vacinas para a gripe, já a preparar o próximo Inverno, anunciou Jamila Madeira, secretária de Estado Adjunta e da Saúde, durante a conferência de imprensa da DGS desta quarta-feira.

A taxa de letalidade em Portugal encontra-se nos 3,8% e acima dos 70 anos situa-se nos 16,6%, acrescentou Jamila madeira, ao fazer o balanço dos números hoje apresentados.

"O R [taxa de contágio] em Portugal está neste momento no 1, 08", disse esta quarta-feira Marcelo Rebelo de Sousa, acrescentando que Lisboa e Vale do Tejo "até está um pouco abaixo".

O Presidente da República, primeiro-ministro e líderes partidários estiveram reunidos esta quarta-feira com especialistas para avaliar a situação epidemiológica da covid-19 em Portugal, com foco na Área Metropolitana de Lisboa, onde tem surgido a maioria dos novos casos.

"Tendo em conta o número de testes efetuados pelos vários países. Portugal está no grupo daqueles 5 países que mais testes realizam por 100 mil habitantes", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

"A realidade atual mostra que não há uma subida de mortes, há uma tendência relativamente decrescente. Quanto aos Internados nos cuidados intensivos, existe uma ligeira subida, longe dos cenários de pré-rutura ou de rutura", acrescentou.

Sobre a região da Grande Lisboa, o Chefe de Estado disse que foi necessário esperar pelos inquéritos para se perceber "ao pormenor" a razão do aumento de casos na região e que por isso, "como frisaram os especialistas", é preciso adotar "medidas específicas e concretas", dirigidas a "determinadas freguesias".

Esta foi a nona reunião técnica realizada no Infarmed - Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, em Lisboa, por iniciativa do primeiro-ministro, para partilha de informação, em que participam também o presidente da Assembleia da República e líderes de confederações patronais e centrais sindicais e ainda, por videoconferência, os conselheiros de Estado.

Foi marcada uma nova reunião, anunciou Marcelo Rebelo de Sousa, "para daqui a 15 dias".

Pela primeira vez não há festas de São João no Porto

O município de Lisboa é o mais afetado pela pandemia e o Porto surge em sexto lugar por causa de surtos passados. No entanto, e pela primeira vez o São João foi cancelado devido à pandemia de covid-19. Tudo para preservar o comportamento do município que há já 16 dias mantém, no boletim epidemiológica da Direção-Geral da Saúde (DGS), os mesmos 1 414 casos de infeção. Apesar de continuarem a ser feitos testes de despiste, garantiu, ao DN, o Centro Hospitalar de São João, no Porto.

Rui Moreira, o presidente da Câmara do Porto, anunciou a decisão a 4 de abril, dando logo como certo que não haveria os habitais concertos, festas e o fogo-de-artifício, que costuma ser organizado entre as autarquias do Porto e de Vila Nova de Gaia.

A música está proibida a partir das 21:00 e os espetáculos foram cancelados. Tal como as festas particulares, o consumo de bebidas alcoólicas na via pública e a venda ambulante de comida e bebida.

Até ao acesso à praia de Matosinhos - o fim da noite para muitos - está interdito até às nove da manhã desta quarta-feira. As autarquias garantem que, numa operação conjunta da PSP, GNR e Polícia Municipal, as principais artérias dos concelhos serão patrulhadas durante a noite e a madrugada para evitar ajuntamentos.

477 mil mortos e mais de 9,2 milhões de infetados em todo mundo

A pandemia do novo coronavírus já causou a morte a pelo menos 477.570 pessoas e infetou 9,2 milhões em todo o mundo desde dezembro, segundo um balanço da agência AFP baseado em dados oficiais.

De acordo com os dados recolhidos pela agência de notícias francesa até às 11:00 de Lisboa, já morreram pelo menos 477.570 pessoas e há mais de 9.279.310 infetados em 196 países e territórios desde o início da epidemia, em dezembro de 2019 na cidade chinesa de Wuhan.

Pelo menos 4.548.900 casos foram considerados curados pelas autoridades de saúde.

Contudo, a AFP adverte que o número de casos diagnosticados reflete apenas uma fração do total real de infeções, já que alguns países estão a testar apenas casos graves, outros usam o teste como uma prioridade para rastreamento e muitos países pobres têm apenas capacidade limitada de rastreamento.

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