Ministra da Saúde admite dificuldades em quebrar cadeias de transmissão

Nas últimas 24 horas, foram confirmados mais 375 casos de covid-19 e três mortes, em Portugal. Marta Temido revelou, em conferência de imprensa que cada infetado português continua a contagiar, em média, outra pessoa. Ministra apela a todos os casos positivos que continuem a colaborar com as autoridades de saúde na identificação dos seus contactos próximos numa tentativa de travar a progressão do vírus.

O número de pessoas que cada infetado com covid-19 contagia ao longo do tempo em Portugal é agora de 0,98, de acordo com os cálculos do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) relativos ao período de 11 a 15 de junho. Sendo que este indicador é mais elevado no Centro (1,14) e no Norte (1,02). Em Lisboa e Vale do Tejo é de 0,96 - abaixo da média nacional. Em conferência de imprensa, esta sexta-feira, a ministra da Saúde relembra que este valor já foi mais elevado, mas não disfarça a preocupação com a incapacidade de reduzir o RT. "Estamos a ter dificuldades em quebrar as cadeias de transmissão", admite.

Marta Temido aproveitou ainda para fazer um pedido a todos os portugueses que contraíram o novo coronavírus no sentido de continuarem a colaborar com as autoridades de saúde na identificação dos seus contactos próximos. Desta forma, será possível um trabalho de rastreamento mais eficaz, com consequências positivas na eliminação de cadeias de transmissão.

Mais 375 casos de covid. 76% na Grande Lisboa, 8,5% no Algarve

Em Portugal, nas últimas 24 horas, morreram mais três pessoas e foram confirmados mais 375 casos de covid-19 (um aumento de 0,98% em relação ao dia anterior). Segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) desta sexta-feira (19 de junho), no total, desde que a pandemia começou registaram-se 38464 infetados, 24477 recuperados (mais 467) e 1527 vítimas mortais no país.

Ou seja, há, neste momento, 12 460 doentes portugueses ativos a ser acompanhados pelas autoridades de saúde.

76% dos novos infetados têm residência na região de Lisboa e Vale do Tejo. Ou seja, 284 dos 375 novos casos dizem respeito a pessoas que vivem na zona da Grande Lisboa. A segunda região com mais casos notificados desde ontem é o Algarve (mais 32 - 8,5% dos novos infetados), depois de uma festa no concelho de Lagos ter dado origem a um surto com cerca 90 infetados no total, atualizaram as autoridade de saúde locais ao início desta tarde. Sobre este foco, a ministra da Saúde rejeitou hoje, em conferência de imprensa, a hipótese de uma cerca sanitária no Sul.

No Norte, foram notificados mais 28 infetados, no último dia. No Centro, 21 e no Alentejo, nove.

Quantos aos três óbitos declarados nas últimas 24 horas, dois tinham residência em Lisboa e Vale do Tejo e um no Centro. A taxa de letalidade global do país é hoje de 4%, subindo para os 17% no caso das pessoas com mais de 70 anos - as principais vítimas mortais.

Esta sexta-feira, estão internados 422 doentes (mais seis que ontem), sendo que destes 67 encontram-se nos cuidados intensivos (exatamente o mesmo número). Na região de Lisboa e Vale do Tejo, há 381 hospitalizações, 59 em serviços de cuidados intensivos relacionados com a covid, informou a ministra da Saúde, Marta Temido, em conferência de imprensa.

O boletim da DGS indica ainda que aguardam resultados laboratoriais 1530 pessoas e estão em vigilância pelas autoridades de saúde mais de 29 mil. O sintoma mais comum entre os infetados é a tosse (que afeta 38% dos doentes), seguida da febre (29%) e de dores musculares (21%).

3681 profissionais de saúde infetados. 83% já recuperaram

Durante a conferência de imprensa, a responsável pela pasta da Saúde atualizou ainda o número de profissionais de saúde infetados com o novo coronavírus até ao dia de hoje. São no total 3681: 516 médicos, 1180 enfermeiros, 1082 assistentes operacionais, 166 assistentes técnicos, 113 técnicos superior de diagnóstico e terapêutica e outros 620 profissionais não descriminados.

83% destes (3053) foram dados como curados e regista-se uma morte. Um médico de Medicina Familiar, de 68 anos, que colaborava no Hospital Curry Cabral, em Lisboa O especialista estava há um mês e meio nos cuidados intensivos do Hospital de São José.

Surto no IPO de Lisboa "está controlado", apesar de se registar primeira vítima mortal

Diretora-geral da Saúde e ministra acreditam que o surto de covid-19 no Serviço de Hematologia do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa "está controlado". Graça Freitas aproveitou para reforçar a sua total confiança no plano de contingência da unidade hospitalar, mencionando que todos os doentes e profissionais de saúde que testaram positivos foram transferidos para outros hospitais da região e o "serviço foi reorganizado".

O Serviço de Hematologia do IPO de Lisboa regista hoje mais dez casos de infeção: cinco profissionais e cinco doentes internados. Entretanto, um dos 12 doentes transferidos antes para outras unidades acabou por falecer, confirmou a ministra da Saúde, e um outro está internado nos cuidados intensivos de Santa Maria, sabe o DN. "Um dos doentes que foi transferido terá falecido numa outra unidade de saúde e, portanto, há um óbito lamentar", adiantou Marta Temido.

Desde o início da pandemia até agora, o IPO de Lisboa regista 88 casos de infeção - 40 profissionais, 33 doentes e 15 prestadores externos.

Marta Temido garante resposta, mas admite: "Há hospitais mais próximos de terem a capacidade completa"

O aumento de casos de covid-19 na Grande Lisboa está a levar ao limite as capacidades de internamento e pelo menos duas unidades hospitalares pediram apoio à Administração Regional de Saúde (ARS), noticiava o DN hoje. Por causa disto, o recentemente reabilitado Hospital Militar de Belém - designado Centro de Apoio Militar (CAM) Covid-19 - está desde quarta-feira (17 de junho) a receber os primeiros doentes infetados com o novo coronavírus.

O Ministério da Defesa confirmou ao DN que "após a solicitação da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS LVT), o Centro de Apoio Militar Covid-19 começou a receber utentes do Serviço Nacional de Saúde, ontem à noite [quarta-feira]".

Três doentes foram transferidos ao início da noite de quarta-feira, mas foram chegando mais durante quinta-feira.

Apesar disto, a ministra da Saúde garantiu que os hospitais continuam com capacidade para receber os doentes. "Há hospitais que, neste momento, estão mais próximos de terem a capacidade completa. É o caso do hospital Fernando Fonseca [mais conhecido como Amadora-SIntra], mas a capacidade instalada em Lisboa e Vale do Tejo está ainda com grande conforto a responder àquilo que é a procura", disse.

Marcada reunião extraordinária sobre a Grande Lisboa

A ministra da Saúde anunciou também uma reunião extraordinária que decorrerá na próxima segunda-feira, onde será abordada a situação epidemiológica da região de Lisboa e Vale do Tejo, principalmente, nos concelhos de Amadora, Lisboa, Loures, Odivelas e Sintra - aqueles continuam a ver os seus resultados a crescer. O encontro contará com a presença do primeiro-ministro, das autoridades de saúde e de autarcas.

O objetivo é, segundo a tutela, "o aprofundamento das medidas de supressão da doença nas áreas que têm maior incidência da doença".

457 mil mortes por covid em todo o mundo

O novo coronavírus já infetou mais de 8,6 milhões de pessoas no mundo inteiro, até esta sexta-feira às 13:05, segundo dados oficiais. Há agora 4,5 milhões de recuperados e 457 029 mortes a registar.

Os Estados Unidos da América são o país com a maior concentração de casos (2 264 307) e de mortes (120 691). Em termos de número de infetados, seguem-se o Brasil (983 359) e a Rússia (569 063). Portugal surge em 32.º lugar nesta tabela.

Quanto aos óbitos, depois dos Estados Unidos, o Brasil é a nação com mais mortes declaradas (47 869). Seguem-se o Reino Unido (42 288) e a Itália (34 514).

De Espanha - o sexto país com mais casos e mortes - surge a notícia de que os dados divulgados sobre as vítimas da covid-19 pelo ministério da Saúde espanhol não coincidem com os números registados pelas regiões autónomas.

Desde o final do mês de maio, que o país quase não notificou oficialmente novos óbitos, no entanto, estes números continuaram a crescer a nível regional. O diário espanhol ABC fala, esta sexta-feira, numa média de 68 mortes por dia.

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