Espanha anuncia aumento de mortos. Há agora 28.313 óbitos

As autoridades de saúde espanholas avançam com dados atualizados sobre as mortes por covid-19, depois de ser noticiado que os números divulgados pelo ministério da Saúde não coincidem com os que são registados pelas regiões autónomas.

A pandemia em Espanha já fez mais de 28 mil mortos, a atualização foi feita esta sexta-feira depois de ter sido noticiado que os dados do Ministério da Saúde não batiam certo com os que são registados pelas regiões autónomas.

Assim, depois de vários dias com o número estagnado em 27.136 óbitos, as autoridades de saúde indicam agora que há 28.313 pessoas que morreram devido ao novo coronavírus.

Os números avançados esta sexta-feira pelo ministro da Saúde, Salvador Illa, em conferência de imprensa, mostram que há mais 1177 mortes por covid-19 do que aquelas que foram comunicadas esta quinta-feira.

Foi preciso mais de um mês de revisão dos números para chegar aos 28313 - há quase duas semanas que o número tinha sido congelado (e motivo de inúmeras críticas).

O número não é final, mas Salvador Illa garante que é fiável e permite entender o impacto da covid-19 em Espanha.

No mesmo dia em que o jornal ABC escrevia que o país estava a divulgar um número de zero mortos quando na realidade tinha uma média de cerca de 70, Fernando Simón, diretor-geral Centro de Coordinación de Alertas y Emergencias Sanitarias, explicou que os dados foram "congelados devido a uma mudança no sistema de vigilância e à necessidade de atualizar os dados de todos os casos registados durante o pico da pandemia, quando não havia tempo para preencher todas as fichas".

O responsável sublinhou que estes números abarcam óbitos de pessoas que morreram devido a outras doenças, mas que testaram positivo por covid-19.

Uma nova forma de contar os casos positivos e óbitos

A quantificação do número de mortos em Espanha mudou no dia 25 de maio. Nessa data, o ministério da Saúde deixou de contabilizar os óbitos oficiais por dia e passando a assinalar as vítimas mortais dos últimos sete dias. Durante esse período morreram mais 1437 pessoas do que aquelas que foram reveladas, escreve esta sexta-feira o diário espanhol ABC: o número de mortos seria de 68 por dia, em média.

Estes números, não oficiais, resultam dos dados registados pelas regiões autónomas, entre 25 de maio (dia em que mudou a métrica oficial no número de óbitos) e 14 de junho.

A 2 de junho, Fernando Simón, diretor dos serviços de Alerta e Emergências Sanitárias do Ministério da Saúde espanhol, afirmou que no país tinham morrido nos últimos sete dias 34 pessoas, mas, escreve o jornal, os números totais dados pelas regiões autónomas indicam que nesse mesmo dia e reportando aos sete dias anteriores, os registos de óbitos ascendiam a 496, de acordo com as listagens das regiões.

No dia a seguir, a 3 de junho, o primeiro-ministro Pedro Sánchez, perante os deputados afirmou: "Hoje temos zero mortes no nosso país como resultado de covid-19". Uma afirmação que não bate certo com os números agora conhecidos.

Em média, nos 21 dias decorridos entre 25 de maio e 14 de junho, morreram todos os dias 68 pessoas em todo o território espanhol, segundo a informação disponibilizada pelas autoridades de saúde das comunidades.

Entre os 1.413 óbitos reportados pelas regiões autónomas, a maioria foi registada na Catalunha (609 mortes) e em Madrid (420).

Mais de 43 mil pessoas morreram em maio

De acordo com as listagens das comunidades, 40.993 pessoas morreram em maio, um valor que está próximo dos dados do Sistema de Monitoramento Diário de Mortalidade (MoMo), gerido pelo Instituto de Saúde Carlos III - 43.242 óbitos.

A 24 de maio, os dados do Ministério da Saúde já se distanciam em 11.000 mortos em relação à contagem das regiões autónomas. Dois dias depois, o governo eliminou repentinamente 1.918 mortes e os dados estagnaram nos 27.100 óbitos, aos quais foram acrescentados 36 ao longo de junho, refere o diário ABC.

Este não é, no entanto, o primeiro episódio sobre as anunciadas zero mortes em Espanha. No início deste mês, verificou-se também uma discrepância entre os números do governo central e os que são reportados pelas comunidades autónomas.

Nessa altura, quando o Ministério da Saúde anunciou que houve zero mortes em 24 horas, os dados das regiões indicavam que existiam pelo menos 16, sendo que 11 delas tinham sido registadas em Madrid.

Portugal e Espanha mantêm as fronteiras encerradas até ao final deste mês, sendo que existem pontos de passagem autorizadas entre os dois países - entre os quais Melgaço, Monção, Miranda do Douro, Vila Nova de Cerveira, Valença, Vila Verde da Raia, Quintanilha, Vilar Formoso, Termas de Monfortinho, Marvão, Caia, Vila Verde de Ficalho e Castro Marim.

A 1 de julho, as fronteiras entre os dois países reabrem numa cerimónia que irá contar com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o rei Felipe VI, e os primeiros-ministros português, António Costa, e espanhol, Pedro Sánchez.

Devido à pandemia de covid-19, as fronteiras terrestres entre Portugal e Espanha foram encerradas às 23:00 do dia 16 de março (00:00 de dia 17 em Espanha), com nove pontos de passagem exclusivamente destinados ao transporte de mercadorias e a trabalhadores que tinham que se deslocar por razões profissionais, em termos definidos em conjunto pelos dois países.

O Governo de Espanha começou por anunciar a reabertura das fronteiras com Portugal para o dia 22 de junho, anúncio a que o Governo português reagiu com surpresa, tendo sido depois acertado o dia 1 de julho.

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