Nunca a União Europeia viveu dias tão desafiantes para a sua existência como os de hoje. Dos económicos aos políticos, o cardápio das escolhas é grande, seja no plano institucional, económico ou mesmo existencial.Por agora, o Velho Continente debate-se com as consequências financeiras de mais uma guerra iniciada por Trump, sem que o seu “palpite” bélico tenha previsto a reação do Irão, com o encerramento do Estreito de Ormuz, que colocou meio mundo em pressão financeira, por via da escassez de petróleo e gás.Em fevereiro de 2026 a inflação na União Europeia era de 1,9 %. Agora, com os disparates bélicos de Trump, a inflação poderá, muito em breve, crescer para 3%. A subida de preço do petróleo e gás arrastará, inevitavelmente, um aumento generalizado no preço dos bens essenciais. Os mais desprotegidos serão, naturalmente, os que mais sofrerão com estes dias de guerra.Hoje, mais solitária, sem contar já com o apoio da sua histórica parceria transatlântica, destruída pela postura errática e disforme do pior presidente dos Estados Unidos, a União Europeia com o Brexit e a saída do Reino Unido no ano de 2020 iniciou uma trajetória que, no futuro, vai conhecer perigosos desafios.Além da guerra e a ajuda à Ucrânia, com os custos políticos e financeiros que essa ajuda acarreta, a União Europeia vai conhecer dois processos eleitorais que têm uma acentuada importância no seu percurso existencial.No próximo dia 12 de abril as eleições na Hungria podem, finalmente, recolocar este país no seu espaço político natural se Viktor Orbán perder para Péter Magyar, seu adversário nesta contenda. Magyar é líder do Tisza Party, partido de inspiração democrática e pró-europeu. Favorito nas sondagens, que lhe apontam 40 a 45% dos votos, a vitória do candidato pró-europeu afastaria Orbán, que mais não tem sido do que um cavalo de Tróia na Europa, permanentemente alinhado com Putin, em troca de uns quantos galões de petróleo.O ano de 2027 poderá, de novo, ser um ano de todos os perigos para a União Europeia com a realização das eleições presidenciais francesas. Macron tem sido um dos líderes mais ativos na União Europeia, -presidente da França, país que tem capacidade nuclear, e isso é importante em termos dissuasivos. Se Macron voltar a candidatar-se vai encontrar pela frente Marie Le Pen ou, em alternativa, Jordan Bardella, o presidente do Rassemblement National (RN), partido a que ambos pertencem, anti-europeu e muito próximo da nomenclatura russa.A França vive, atualmente, um período de eleições autárquicas cujo resultado pode ser um indicativo importante do que vai acontecer em 2027. De acordo com as sondagens, Paris vai continuar situada na esquerda política através da candidatura de Emmanuel Grégoire, a quem as sondagens dão 36% a 38% dos votos. Em contrapartida, o Rassemblement National está com boas perspectivas em algumas cidades do norte de França.Uma eventual vitória da direita populista nas eleições presidenciais francesas em 2027 poderá ser um rombo importante na solidez do projeto da União Europeia.A tudo isto acresce o desfazer da ordem internacional, a falta de respeito pela legislação internacional, as ambições imperialistas dos Estados Unidos e da Rússia, o perigo dos regimes autocráticos, que deixam a União Europeia num isolamento internacional nunca registado anteriormente.Guerra, erros acumulados na questão energética, o virar de costas do Tio Sam, eventuais mudanças políticas no sentido da direita populista, lideranças fracas, agendas políticas desfazadas da realidade, excesso de burocracia, e a ausência de uma agenda que privilegie a industrialização e a inovação.Estes são perigos que ameaçam o existência do projeto europeu, democrático, livre, onde as liberdades individuais, a liberdade de imprensa, a liberdade sindical, a liberdade de reunião e associação são bens demasiado preciosos para que não se enfrentem os perigos existentes e não animem para o combate político os que habitam o espaço europeu na Defesa de um projeto cultural e democrático de incalculável valor.