A rede pública de transportes na Área Metropolitana de Lisboa é, desde há muito, alvo de dezenas de queixas nos canais próprios e de protestos, principalmente nas redes sociais. Atrasos nas ligações ou, pura e simplesmente, o “desaparecimento” dos horários previstos e a sobrelotação de autocarros ou comboios são alguns dos motivos apresentados. Com alguns destes motivos a ganharem relevo nos últimos meses, com especial foco na ligação ferroviária entre Setúbal e Lisboa.Diariamente tenho ouvido queixas de que, em Lisboa, o serviço da Carris, empresa sob a alçada da autarquia, está a baixar a qualidade. Já os passageiros da Fertagus continuam a ver os horários dos comboios a não serem cumpridos - neste caso a concessionária diz que uma grande parte da culpa é da Infraestruturas de Portugal, que obriga a uma redução de velocidade das composições.Perante estes exemplos não é de estranhar que dados do Upper Project - que acompanha a evolução das redes de transportes públicos na União Europeia - mostrem que Lisboa está abaixo da média das capitais da UE na utilização de transportes públicos, com os números mais recentes a darem conta de que só 22% das viagens na cidade são feitas em transporte público, enquanto muitas capitais europeias ultrapassam os 40% ou mesmo os 50%, como foi referido recentemente pela jornalista do DN Margarida Vaqueiro Lopes num trabalho sobre o preço unitário dos bilhetes nos transportes em comparação com outras cidades da União Europeia.Mas hoje não quero alongar-me nas críticas, até porque são por demais conhecidas, mas sim juntar umas questões dirigidas a quem, eventualmente, possa supervisionar a rede de transportes públicos.A saber: para quando uma rede efetiva de informação sobre os transportes públicos que permita, em tempo real, avisar os passageiros de determinado serviço de uma alteração numa ligação? Por exemplo: qual a razão que impede o Metropolitano de Lisboa de alertar o serviço ferroviário de que determinada linha está sem serviço de forma a que os passageiros que necessitem de utilizar o metro saibam que este não está disponível? E assim, poderem gerir a sua viagem e, quem sabe, sair numa outra estação onde a ligação subterrânea funcione?Outro caso: será difícil fazer com que os placards colocados junto das paragens da Carris possam ter informações fidedignas sobre os horários do serviço?Acho que os utentes de transportes públicos ficariam gratos com estes ajustamentos. Até lá continuaremos a ouvir queixas sobre um mau serviço. E a continuação do recurso ao automóvel particular, continuando Lisboa em contraciclo de cidades como Paris, Bruxelas ou Amesterdão, por exemplo..Quando a Justiça perde tempo e imagem.Ao volante e de olhos no ecrã. É só irresponsável