A propósito das frondosas mangueiras que rodeavam a minha casa de Bissau, que eram povoadas por centenas de morcegos, já aqui realcei que as fezes que eliminam, tal como a urina e a saliva, podem transmitir infeções a outros animais e a pessoas suscetíveis. Por isso, em epidemiologia, os morcegos são considerados reservatórios, uma vez que armazenam, na natureza, os agentes patogénicos, nomeadamente uma multiplicidade de vírus.São grandes as diferenças de envergadura e corpulência de morcegos pertencentes às várias espécies existentes nos cinco continentes, mas estou certo de que não serão animais especialmente simpáticos, nem atraentes, nem “fofinhos”. É verdade. Mas, o pior é a ameaça que podem representar para a nossa própria saúde pelo papel que desempenham como reservatório natural de infeções emergentes de origem zoonótica.Preciso.Ora, é fácil admitirmos que os frutos daquelas árvores habitadas por morcegos possam ficar contaminados, durante o dia, pelas suas secreções e excreções. Suponhamos que esses mesmos frutos são, a seguir, comidos, por exemplo, nas zonas tropicais, por macacos e outros animais ou, consumidos por pessoas, mas sem serem previamente lavados, nem descascados. Imaginemos que esses animais, depois de terem ingerido frutos contaminados, contactam diretamente ou são fonte alimentar de seres humanos... Ou, dito de outra maneira: nessas hipotéticas situações, há doenças infecciosas que poderão ser transmitidas, por via indireta, a partir de morcegos. Esta é, muitas vezes, a génese de certas doenças virais: infeções respiratórias provocadas pelos coronavírus, gripe, Ébola, Marburgo, encefalites, etc.O conhecimento destes assuntos interessa a turistas, particularmente para os países asiáticos, sobretudo em regiões rurais e exóticas, na perspetiva de poderem evitar comportamentos de risco. São situações reais, que devem ser faladas, visto que não há vacinas para estas doenças.Recentemente, investigações científicas conduzidas por virologistas confirmaram que os morcegos continuam a representar ameaças preocupantes para a Saúde Pública a nível global. Há sinais de alerta que exigem vigilância e medidas de prevenção, visto que podem originar doenças graves e a ocorrência de epidemias (incluindo de expressão pandémica).Eis uma questão que importa a viajantes. Na Índia e no Bangladesh, a partir de 2001, verificaram-se sucessivas epidemias de encefalite humana provocadas pelo vírus Nipah transmitido pelo consumo de frutos contaminados pelos excrementos de morcegos. Ainda por cima, suspeita-se da possibilidade da formação de cadeias de transmissão pessoa a pessoa. franciscogeorge@icloud.com