‘Silent Service 2030’: Portugal, Espanha, Marrocos e Gibraltar!

Raúl M. Braga Pires

Politólogo arabista. Professor no Instituto Piaget de Almada

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Em ano de Mundial de Futebol, 2026, é sempre assunto a organização do próximo. Até porque, na cerimónia final do Mundial deste ano, quem o organizou irá, simbolicamente, entregar “a batata” à organização seguinte, que convém estar preparada.

Por isso mesmo, na semana passada, a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, encontrou-se em Rabat, com os seus homólogos marroquino e espanhol, com quem assinou um Memorando de Entendimento Tripartido – o primeiro, em cooperação judiciária –, no âmbito do trabalho que se faz no silêncio, com carimbos, assinaturas, e que ninguém vê, mas arquiteta o conforto do espectador, do turista!

Outro silencioso, neste âmbito, terá sido uma formação-extra, que o novo Embaixador de Portugal em Marrocos, terá tido, antes de apresentar credenciais, em Março, em Rabat. Ou seja, Luís Faro Ramos, “foi às aulas”, para melhor compreender, e lidar, com os códigos marroquinos, que passam muito pela apresentação do “dado adquirido”! Esta nomeação, deverá ter validade até ao Verão de 2030, a mesma dos seus congéneres em Lisboa e Madrid, sinal, no silêncio, de uma sintonia a partir do topo.

Tendo esta papelada como esteira, será importante considerar o seguinte:

Um: marroquinos e espanhóis, ao nível securitário, sempre tiveram dois elementos comuns – a luta contra o elemento nacionalista e contra o jihadismo;

Dois: será amador realizar um Campeonato Mundial sem ligação marítima entre Portugal e Marrocos, havendo duas entre Espanha e Marrocos;

Três: tal ligação, Portimão-Tânger, programada para o Verão de 2021, teve o azar de calhar em ano de eleições autárquicas. Usado em campanha, a favor e contra, mantém-se na gaveta sob razão de não haver condições mínimas;

Quatro: e para tudo correr mesmo, mesmo bem, os próximos 4 anos, deverão ser de criação de cumplicidades e segredos entre as chefias silenciosas dos três países. Como? “À Isaltino”, à mesa, pois claro, que somos todos primos!

Outro assunto neste radar, é Gibraltar, enquanto os olhos estão em Ormuz!

Em Fevereiro, o Reino Unido e Espanha, actualizaram o pós-Brexit, certamente tendo em vista o(s) Estreito(s) e uma nova realidade larvar, uma incerteza cancerígena e pandémica. Reafirmou-se e confirmou-se todo o anterior, livres circulações, e estabeleceu-se Gibraltar como fronteira externa de Schengen. Um reforço do Frontex, o que significa um reforço dos procedimentos de segurança em terra e patrulhamentos no ar e no mar, num espaço que ganhou a importância estratégica, que nunca lhe demos, enquanto portugueses.

Portugal, poderá sugerir convite aos ingleses, para a mesa do silêncio dos “dependentes do estreito”!

Escreve de acordo com a antiga ortografia

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