Quem será o próximo a discursar no 14 de Julho?

Helena Tecedeiro

Editora-executiva do Diário de Notícias

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Foram 6700 soldados, 98 aviões, 31 helicópteros e 25 chefes de Estado, com o ucraniano Volodymyr Zelensky como convidado de honra. Para o seu décimo - e último - 14 de Julho, Emmanuel Macron quis oferecer a si próprio aquilo a que a rádio France Info apelidou de um “desfile XXL”.

Mais jovem presidente francês, com apenas 39 anos quando chegou ao Eliseu em maio de 2017, Macron prepara-se agora para deixar o cargo com uma popularidade que depois de, em agosto de 2025, ter atingido um mínimo de 11% estabilizou agora nuns pouco impressionantes 18%, segundo sondagem YouGov para o Huffington Post. Mas a menos de um ano do fim do segundo mandato, o futuro do macronismo para além de Macron parece incerto.

O filho de médicos que diz ter aprendido com a avó os valores de esquerda e da cultura, ganhou fama política como ministro das Finanças de François Hollande . Mas depressa se afastou do Partido Socialista e fundou o seu próprio movimento político. Foi como centrista que se apresentou a umas presidenciais de 2017 nas quais Hollande não procurou um segundo mandato. E venceu.

Ora foi na era Macron que o panorama político francês viveu uma mudança radical. Os partido tradicionais quase desapareceram, os extremos - esquerdo com a França Insubmissa de Jean-Luc Mélenchon e direito com o Reagrupamento Nacional de Marine Le Pen - impuseram-se, com a concorrência de um centro macronista em queda.

O mais surpreendente nestes dez anos talvez seja mesmo o facto de Macron não ter criado um delfim. Gabriel Attal será o mais próximo disso, mas o líder do partido Renascimento tem procurado afastar-se do mentor. Já Édouard Philippe, outro antigo primeiro-ministro de Macron e líder do Horizontes, surge bem colocado nas sondagens mas vai repetindo que “não deve nada” ao presidente.

Perante a incerteza generalizada - o Le Monde contou neste momento três dezenas de potenciais candidatos às presidenciais, entre declarados e potenciais - duas certezas parecem impor-se. Apesar da confirmação da sua condenação na justiça, Marine Le Pen confirmou que é mesmo candidata do RN. E à quarta tentativa, a mulher que Macron derrotou na segunda volta em 2017 e de novo em 2022 (já tentara em 2012, mas ficara em terceiro lugar) conseguirá mesmo chegar ao Eliseu? As sondagens dão-na clara vencedora da primeira volta, mas na segunda Philippe parece ser o único capaz de a derrotar. Por muito pouco.

A outra certeza é Mélenchon. O líder da extrema-esquerda também vai na sua quarta candidatura ao Eliseu. Figura divisiva pelas suas ideias ferozmente anti-liberais, defensor da saída da NATO e da desobediência aos tratados da UE, muitas vezes suspeito de fomentar o antissemitismo, surge com cerca de 12% nas sondagens. Mas com tantas divisões, a sua passagem à segunda volta é tudo menos impossível. E aí, um duelo Le Pen-Mélenchon arrisca tornar-se no pior pesadelo dos franceses, com os estudos a darem a líder parlamentar do RN a vencer com 70% dos votos.

Mais as dúvidas do que as certezas, portanto, sobre quem irá pronunciar o próximo discurso do 14 de Julho.

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