É preciso um tiro para reforçar a fiscalização?

Carlos Ferro

Editor-executivo do Diário de Notícias

Publicado a

A Câmara de Lisboa anunciou, na passada terça-feira, o reforço da fiscalização das “atividades comerciais ilícitas e irregulares” nas zonas turísticas da cidade. A decisão surgiu após uma turista sueca ter sido atingida por uma bala perdida durante um tiroteio na Rua Augusta. Pelo que foi noticiado, a briga envolveu pessoas que vendem louro prensado como se fosse haxixe. Uma prática a que, pelos vistos, os responsáveis pela fiscalização de “atividades comerciais ilícitas” não têm estado tão atentos quanto deviam. Daí a necessidade de existir agora esse reforço de fiscalização para uma realidade conhecida por quem vive, trabalha ou circula pela Baixa.

O presidente da autarquia, Carlos Moedas, há muito tempo que defende um reforço de policiamento em Lisboa, nomeadamente com mais efetivos para a Polícia Municipal. Nessa matéria, conseguiu do Governo a garantia de que a Polícia Municipal receberia mais 100 agentes, juntando-se aos cerca de 400 efetivos que tinha em maio, como referiu ao DN. A que juntou a necessidade de avançar com as 100 câmaras de videovigilância (num investimento que estimou em 18 milhões de euros) que esperavam aprovação.

A situação ocorrida na tarde de segunda-feira não é representativa de uma cidade insegura, apesar de Carlos Moedas já ter dito anteriormente que a população sente cada vez mais insegurança nas ruas.

É verdade que, segundo os dados do Relatório Anual de Segurança Interna, a criminalidade geral em Lisboa subiu em 2025, muito devido às participações/denúncias da atuação dos carteiristas (este ano já foram detidos 156), da condução sem carta e com excesso de álcool - os três principais crimes reportados à Polícia de Segurança Pública de acordo com o documento. Mas, por outro lado, a criminalidade violenta desceu.

Lisboa, que recebeu no ano passado cerca de oito milhões de turistas e gerou 45% das receitas do turismo do país, não é necessariamente uma cidade insegura por causa deste episódio; mas um caso destes, numa zona turística central, revela uma falha de segurança que as autoridades não podem ignorar.

A questão que se coloca é: se estas práticas são conhecidas há anos, por que razão é preciso um tiroteio na Rua Augusta para que as autoridades decidam agir com mais firmeza?

É preciso um tiro para reforçar a fiscalização?
MAI anuncia reforço da resposta policial nas zonas de maior concentração turística em Lisboa
É preciso um tiro para reforçar a fiscalização?
Moedas critica decisão de tribunal que libertou suspeito de balear turista na Baixa de Lisboa
É preciso um tiro para reforçar a fiscalização?
Lisboa. Furtos por carteiristas sobem quase 10% no primeiro semestre
É preciso um tiro para reforçar a fiscalização?
Lisboa duplica videovigilância. Martim Moniz será um dos casos
Diário de Notícias
www.dn.pt