Os furtos de malas, telemóveis e carteiras, com atuação dos chamados carteiristas, registaram um aumento de 9,5% no primeiro semestre deste ano em Lisboa. De acordo com dados do Comando Metropolitano de Lisboa (Cometlis) avançados ao DN, entre janeiro e junho foram registadas 1770 ocorrências deste tipo de crime. No mesmo período de 2025, o comando recebeu 1616 participações, ou seja, menos 154 do que no primeiro semestre de 2026.Em média, foram participados à PSP cerca de dez furtos por dia, sendo que nem todas as vítimas deste tipo de crime procuram as autoridades para registar a ocorrência. As zonas mais movimentadas de Lisboa, onde circulam mais turistas, como Belém ou junto ao Castelo de São Jorge, são os locais preferenciais dos carteiristas. Os furtos acontecem tanto na via pública como nos transportes públicos. Alguns destes transportes têm, inclusive, placas de sinalização em vários idiomas a alertar para o risco. Um estudo do Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna indica que 73% das vítimas deste tipo de crime eram estrangeiras, o que evidencia a ligação entre este crime e o turismo. No total, em 2025, o Cometlis registou 3163 participações, segundo os mesmos dados enviados ao DN. Este número representa uma média de cerca de nove furtos por dia na área do comando.O Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2025 consta que a capital do país é a cidade com mais furtos por carteiristas e que este tipo de ocorrências aumentou, para 7443 registadas em todo o país. O furto por carteiristas está entre os oito tipos de crime que mais subiram no ano passado. Cerca de metade ocorreu no distrito de Lisboa (46%), seguido do Porto, onde as autoridades registaram 26% dos casos nacionais, surgindo depois Faro (7%) e Setúbal (5%). O RASI refere que em Portugal se nota uma “elevada especialização” neste tipo de crime, assim como ocorre a nível europeu. Na Europa, este é um fenómeno habitualmente protagonizado por grupos organizados que se deslocam entre vários países “em função das oportunidades criminais associadas a fluxos turísticos e grandes eventos”. O relatório explica que os carteiristas atuam em grupo com uma clara divisão de tarefas e “métodos de atuação consolidados” e deu como exemplo a “criação de distrações, bloqueio de movimentos da vítima ou rápida transferência do objeto subtraído entre elementos do grupo”. DetençõesNos primeiros seis meses deste ano, foram detidas 53 pessoas, menos 14 detidos em termos absolutos. Trata-se de uma redução de 20,9% face ao mesmo período de 2025. No ano passado, o comando de Lisboa deteve um total de 102 pessoas por este crime. Destes casos, a PSP destaca que foi aplicada a medida de coação de prisão preventiva a 16 arguidos. Já neste ano foram oito que receberam a medida de coação mais gravosa.Ainda de acordo com a PSP, ao nível do Comando Metropolitano de Lisboa, a Divisão de Investigação Criminal possui uma equipa especialmente dedicada ao combate deste fenómeno criminal, denominada “F3C”. A PSP tem reforçado as recomendações de prevenção, com várias ações de sensibilização junto de diversos públicos-alvos. Outra medida é a publicação de recomendações através dos canais nas redes sociais, “sobretudo em grandes eventos”, como ocorreu em recentes festivais de música na cidade. Na última edição do Rock in Rio, por exemplo, a atuação dos agentes permitiu a detenção de três pessoas e a recuperação de 32 telemóveis furtados. Segundo as autoridades, os crimes foram cometidos por “associação criminosa transnacional”, com elementos que possuem antecedentes criminais por crimes desta natureza cometidos por toda a Europa, nomeadamente na cidade de Barcelona. O grupo chegou à cidade horas antes do início do evento, num carro alugado com matrícula estrangeira, e com bilhetes de acesso ao recinto já adquiridos. Todos os telemóveis furtados eram cuidadosamente envolvidos em papel de alumínio, após a remoção dos respetivos cartões SIM e a ativação do modo de voo, sendo posteriormente acondicionados numa mochila. Este procedimento tinha como objetivo impedir a geolocalização dos equipamentos e dificultar a sua deteção e recuperação por parte das vítimas, confirmando os dados do RASI sobre o modelo sofisticado de atuação destes grupos.amanda.lima@dn.pt.PSP deteve 38 carteiristas nos primeiros três meses do ano.Detido grupo responsável por vários roubos violentos em Lisboa