‘PISA 2025’: o descalabro anunciado

Paulo Guinote

Professor do Ensino Básico

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O desempenho dos alunos portugueses, apesar da cosmética das avaliações internas para produção de estatísticas de sucesso, está em acelerada (e prolongada) erosão. Os resultados dos testes PISA 2025 demonstram isso, com os valores obtidos em Leitura e Matemática a regredirem muitos anos e os de Ciências a estabilizar em perda.

O balanço da última década é catastrófico e não vale a pena usar argumentos como os efeitos da pandemia ou de parte das perdas estarem em linha com o que aconteceu na maioria dos países da OCDE. Isso apenas revela que se replicaram políticas erradas, porque “lá fora é assim que se faz”. Aliás, o mesmo argumento que os actuais governantes estão a usar para medidas como a fusão dos primeiros seis anos de escolaridade num único ciclo.

As políticas do período “costista” na Educação traduziram-se num rotundo fracasso, sendo inútil relativizar os factos com as alegadas boas intenções de uma produção legislativa coerente, apenas na ambição de produzir sucesso a qualquer preço. O desempenho dos alunos piorou de forma consistente, com a base (low performers) a não melhorar e o topo (high performers) a reduzir-se de forma significativa: em Leitura e Matemática os valores ficaram em metade ou menos do que eram em 2018.

Quando se analisam os dados desde o início da participação portuguesa nestes testes, percebe-se que são espúrias as tentativas para branquear este ou aquele ciclo político. As quebras são claras desde os PISA 2018 (coorte de alunos que iniciaram a escolaridade em 2009/10) e já nos testes de 2012 tinha existido um declínio dos resultados. Os bons resultados de 2015 (coorte de 2006/07) começam, numa perspectiva de média-longa duração, a surgir cada vez mais como conjunturais.

Tem-se verificado uma tentativa para considerar que até 2015 existiu um conjunto de políticas viradas para um rigor na definição de metas de aprendizagem e na avaliação dos alunos, mas os dados matizam bastante esse tipo de narrativa. Os ganhos mais consistentes terminam em 2009 (coorte de 2000/01), com alunos que fizeram quase toda a sua escolaridade antes das profundas reformas que entraram em vigor a partir de 2007 e 2008. Afirmar o contrário é um esforço mais político e ideológico do que analítico, e depende de alguma tortura estatística e cronológica dos dados disponíveis.

Nada disso obsta a que existam duas conclusões muito claras: em primeiro lugar, que os alunos que iniciaram a sua escolaridade em 20013/14 e 2016/17 apresentam um desempenho que regride para valores de 2006, demonstrando a desadequação de políticas apresentadas como inclusivas e defensoras da equidade e da justiça social; em segundo, que, se as perdas acompanham tendências comuns à OCDE, isso significa que se adoptaram soluções desajustadas à realidade educativa nacional, apesar dos avisos a esse respeito.

Infelizmente, verifica-se que ninguém assume qualquer responsabilidade pelo sucedido e que, o que é mais grave, estão a ser tomadas medidas com base em argumentos semelhantes – de estarem em linha com as propostas de organismos como a OCDE – aos que nos levaram a esta triste situação. Como ensinar alunos, quando temos decisores tão lentos nas aprendizagens?.

Escreve sem aplicação do Acordo Ortográfico

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