Todos os anos, a divulgação dos rankings das escolas desencadeia análises, reflexões e comentários. Mas, ano após ano, continua a faltar aquilo que importa: soluções e decisões políticas para os problemas estruturais da Educação. Na realidade os resultados não trouxeram novidades: tal como nos anos anteriores, os colégios privados são os melhores classificados e a escola pública não fica nada bem no retrato – este ano a melhor ocupa o 38.º lugar na tabela do DN.
Aliás, o próprio ministro da Educação, Fernando Alexandre, chamou a atenção para o facto de não se poder fazer uma leitura simplista destas listas, referindo que as escolas públicas trabalham em “condições muito mais difíceis” das privadas e isso representa uma “competição desigual”.
E a verdade é que tem razão. O problema não está na comparação dos resultados, mas na interpretação que deles se faz, ignorando as diferentes condições de funcionamento e os contextos socioeconómicos dos alunos. A questão é que a pública tem de responder a desafios pouco colocados aos privados.
Por exemplo: os estabelecimentos públicos são, muitas vezes, a única forma de os alunos com necessidades educativas especiais terem aulas; os imigrantes que estão a aprender português são acolhidos nestas escolas, até porque muitos não têm dinheiro para pagar as mensalidades pedidas; as escolas não têm condições físicas, estruturais e de pessoal para responder a todas as solicitações. E que trabalho se faz com turmas com cerca de 30 alunos?
Outro dado que os rankings mostraram foi a diferença de resultados entre as escolas do norte do país em relação às do centro e sul. São nessas zonas, principalmente na região de Lisboa e Vale do Tejo e no Algarve, que mais faltam professores, pois o custo de vida é tão elevado que não é possível a um docente aceitar dar aulas nessas regiões.
A este cenário juntam-se as greves que, embora constituam um direito dos trabalhadores, provocam interrupções na atividade letiva e podem comprometer a continuidade das aprendizagens. Os seus efeitos fazem-se sentir sobretudo nos alunos que dependem exclusivamente da escola pública para garantir o seu percurso académico.
Destas classificações podemos retirar: a escola pública como elevador social tem muito caminho a percorrer, independentemente dos exemplos positivos que também são muitos e do trabalho que faz na inclusão de alunos – que não é valorizado nos rankings –, as zonas mais carenciadas ficam bem identificadas e deveriam merecer atenção por parte do poder executivo.
Perante este panorama a escola pública não precisa de mais diagnósticos. Precisa, sim, de soluções.