O dia antes dos ‘rankings’

Paulo Guinote

Professor do Ensino Básico

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Seguindo, com atraso, um ritual anual, esta sexta-feira, 30 de outubro, será dia de divulgação dos rankings relativos aos resultados dos alunos nas provas finais do Ensino Básico e nos exames nacionais do Ensino Secundário. Na última semana, foi a vez de chegarem às escolas os resultados das provas ModA de 4º e 6º ano, de que se tem um conhecimento do desempenho global, mas a que ainda poucos tiveram acesso mais específico.

Sou dos que gosta que esta informação seja pública, assim como gosto que seja encarada como uma variável de análise do sistema educativo, a contextualizar com diversas outras, algo que nem sempre acontece. Há órgãos de comunicação social que, com o tempo, desenvolveram abordagens que foram além do simplismo de seriar resultados sem outro critério. No entanto, continuamos com uma assimetria informativa evidente, com o sector privado a sonegar os dados ligados ao contexto socio-económica familiar dos alunos, o que amputa qualquer análise que se pretenda completa. Quem tanto exigiu transparência às escolas públicas, mais de duas décadas após a publicação dos primeiros rankings, continua a optar por uma curiosa opacidade.

Este meu gosto pelo acesso à informação, relaciona-se com a crença de que só podemos agir sobre algo, no sentido da sua melhoria, se conhecermos as suas características, com destaque para aquilo que funciona pior e necessita de uma intervenção mais urgente ou aprofundada. Na ignorância não se consegue agir de modo consequente e alimentam-se equívocos e mitos desnecessários.

Por isso, o meu desânimo foi aumentando à medida que se percebeu que a publicação destes dados é feita como se, da parte do poder político, se tratasse de uma incómoda obrigação, não sendo produzidas análises especializadas que possam servir para melhorar o sistema educativo, em especial no sector público. No dia da sua divulgação, agendada com a comunicação social, e nos seguintes, surgem numerosas prosas de gente douta e especializada na matéria, da estatística à pedagogia, passando pelas políticas públicas, mas em breve tudo se apaga e esquece, sem qualquer efeito prático nessas políticas.

O que mais desgosta quem prefere ter o máximo de informação disponível, é o evidente desinteresse do poder político em a aproveitar, investindo em produzir conhecimento que sustente políticas que combatam a crescente desigualdade no desempenho das escolas privadas e públicas de topo ou, com este ou aquele passageiro alarme inspectivo, a crescente disparidade entre a avaliação interna dos alunos e o seu desempenho em provas de avaliação externa.

O mesmo se passou com os resultados dos alunos portugueses nos testes PISA, não apenas de 2025. A quebra no desempenho em testes internacionais ou nacionais de natureza externa, contrasta de forma muito evidente com as estatísticas de sucesso, nas suas mais diversas variantes (sucesso pleno, qualidade de sucesso, percursos directos de sucesso), de produção interna das escolas e para consumo político interno.

Mas nada é feito acerca disso, além das tais inspecções mais ou menos coreográficas. Dos rankings ficam os títulos mais dramáticos e a sua utilidade é mais comercial do que educativa, nisso colaborando, ano após ano, decisores políticos aprisionados pela ideologia.

Escreve sem aplicação do Acordo Ortográfico

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