Enquanto nos Estados Unidos continua a contagem decrescente para as eleições de novembro, a Europa vive entre banhos, fogos devastadores e a denominada “silly season”. Já no Médio Oriente, a temperatura diplomática aquece cada vez mais e assiste-se a uma perigosa coreografia entre o “atacas tu, ataco eu”..Contudo, a problemática é bem mais séria do que uma simples encenação. Enquanto os emissários do Hamas analisavam no Cairo a proposta para uma nova tentativa de cessar-fogo, o Hezbollah iniciou a apelidada fase 1 da ofensiva que visa vingar a morte de um dos seus. Ora, essa etapa materializou-se com o lançamento de mais de 300 rockets contra Israel. .De acordo com as declarações do líder do Hezbollah, “reservam-se ao direito de lançar uma segunda ofensiva, após analisar os resultados da primeira e no caso de esses não serem satisfatórios face aos objetivos propostos”..Com esta escalada por parte do Hezbollah, o Hamas aproveitou para dizer que só aceita o cessar-fogo nos termos propostos por Washington, o que a ser crível seria paradoxal. Esta manhã quer Israel, quer o Hezbollah afirmaram que é tempo de fazer pontos de situação e apresentaram um objetivo comum: ambos referem não pretender uma escalada do conflito..Um dos fatores determinantes nesta equação, e que não deve passar ao lado, é que enquanto tudo isto sucede há um conjunto de atores internacionais que ainda não se pronunciaram e deveriam fazê-lo. São eles a Rússia, China e Índia. A sua intervenção em nome da resolução do conflito poderia ser crucial, mais ainda numa fase em que os Estados Unidos estão mais concentrados na política interna do que na política externa..Apesar do regresso ao multilateralismo testemunhado ao longo da presidência democrata, sente-se falta de uma política externa forte e determinada por parte dos americanos. Já passaram mais 8 anos em que os Estados Unidos não conseguem impor-se no plano internacional, seja ao nível militar ou económico..Assim, há uma questão que se coloca: poderá esta “fraqueza” americana, demonstrada por exemplo na sua parca presença militar externa e no abandono de alguns conflitos militares internacionais, ter de algum modo exortado os “proxys” iranianos (para não dizer o Irão) a combaterem o domínio ocidental?.É que esta “rebelião” já não está circunscrita apenas ao Médio Oriente, via Hamas, Hezbollah, Irão e seus ataques a Israel. Estão a surgir ações cuja visão pertencia ao passado, mas que no fim-de-semana voltaram a chocar o mundo. Em Solingen, na Alemanha, deu-se mais uma investida que ceifou a vida de 3 pessoas e feriu com gravidade outras 4, num atentado reivindicado pelo Estado Islâmico..A importância desta questão é vital, sobretudo numa Europa que não consegue, nem conseguirá num futuro próximo, alinhar-se e organizar-se para combater este tipo de fenómenos. A configuração política do velho continente não lhe permite ir além de manter o status quo. Só dando passos muito diferentes em termos de integração política e social, a Europa conseguiria almejar a implementação de uma política de defesa comum..Todavia, um contributo europeu de peso passa pelo combate aos extremismos e populismos. Nesse sentido, a Europa conta com líderes exemplares que podem impedir a deriva extremista nesta fase da história..Por este enredo complexo e muito desafiante é que os atores da nova ordem mundial - China, Índia, entre outros – deveriam interceder em nome da paz. Se essa falhar e o mundo entrar em disrupção global, o eixo económico tão valorizado por esses atores ruirá. A luta pela paz e pelos Direitos Humanos é uma obrigação que deveria recair sobre todos e não apenas sobre a Europa e os Estados Unidos.