“O nosso futuro é criado aqui”

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Arranca hoje, em Chicago, Illinois, a Convenção Democrática Nacional (DNC). Há 4 anos aconteceu em Milwaukee, estado do Wisconsin. Tanto a convenção anterior como a deste ano têm lugar em dois estados tradicionalmente fortes para os democratas, portanto cruciais para assegurar a vitória no dia 4 de novembro.

O Illinois e Milwaukee estão situados no Rust Belt, termo que nasceu a partir da classe operária e fabril com grande predominância na segunda metade do século XX. Fruto das suas condições laborais e naturais, era aí que cerca de metade dos postos de trabalho fabris dos Estados Unidos se situavam.

Chicago é uma cidade vibrante, a terceira maior dos Estados Unidos. Os números falam por si: cerca de 3 milhões de habitantes, 77 áreas comunitárias, 480km de ciclovias, 600 parques, 100 bairros, 8 clubes desportivos de primeira liga, incluindo futebol, futebol americano, basquetebol, hóquei no gelo e basebol, visitada por mais de 50 milhões de turistas anualmente.

Ao longo dos próximos 4 dias o mundo irá assistir à Convenção Democrata. O auge da convenção terá lugar com a formalização da nomeação de Kamala Harris e Tim Walz como a dupla candidata às eleições presidenciais, a 4 de novembro. Independentemente dos interesses sociais, económicos ou políticos, todos os trabalhos poderão ser acompanhados em direto. 

Será à noite, quando os cerca de 5000 delegados dos 50 estados se juntarem no United Center, que acontecerão os eventos principais. Cada dia estará subordinado a um tema. O mote de hoje não poderia ser mais eloquente: “Para as Pessoas”. Talvez seja uma provocação dos democratas a Trump, que tem por hábito colocar os seus interesses antes dos demais.

Amanhã o tema versará sobre “Uma visão arrojada para o futuro da América”, uma vez que esta eleição não será apenas entre dois candidatos. Trata-se de uma escolha entre duas visões muito distintas para a América e para o mundo.

Na quarta-feira será a vez de “A luta pelos nossos direitos”, isto porque tanto Harris como Walz passaram grande parte das suas vidas a lutar pelos direitos dos americanos, algo certamente reconhecido por muitas famílias americanas.

A última noite dedicar-se-á ao tema “Pelo nosso Futuro”. No entendimento dos democratas, a América não se pode dar ao luxo de ter Trump como presidente num segundo mandato, potencialmente ainda mais perigoso e extremista do que o primeiro.

Curioso é que antes do início da Convenção, e de acordo com estudos de opinião publicados ontem pelo Washington Post e pela ABC, os Democratas conseguem obter uma ligeira vantagem sobre os Republicanos. É sem dúvida uma melhoria assinalável, já que ainda há cerca de um mês Biden e Trump não descolavam um do outro.

Ainda de acordo com o mesmo estudo, entre os eleitores registados, Harris lidera agora com uma margem de 4pp face a Trump (49 vs 45%). Se forem tidos em conta os restantes candidatos, Harris passa a liderar com 47% e Trump continua atrás com 44%, surgindo depois Kennedy Jr. com 5%. 

No início do mês de julho, Trump liderava com 43%, Biden perseguia-o com 42% e Kennedy detinha uns impressionantes 9%. Quando comparado com os resultados de 2020, este estudo demonstra que a vantagem atual de 3pp é ligeiramente inferior à de Biden, que aí andava nos 4.5pp. Daí resultou a vitória no voto popular e na eleição do colégio eleitoral, que como já se testemunhou duas vezes recentemente, com Al Gore e Hillary Clinton, são duas circunstâncias distintas.

No entanto, esta recuperação supersónica de Harris, e a escolha acertadíssima de Walz, demonstrarão nas semanas seguintes que a liderança se continuará a consolidar. Todavia, tão importante quanto a vitória de Harris e Walz é o efeito contagiante que a candidatura tem tido um pouco por todo o mundo. É um claro sinal de esperança para um futuro melhor e o mundo precisa disso.

Concluindo, serão 4 dias de um contributo intenso para os 77 que faltam até à eleição que marcará o mundo para sempre. Como já repeti várias vezes, será um privilégio testemunhar a liderança pela força do exemplo e não pelo exemplo da força. Que assim seja porque “o nosso futuro é criado aqui”.

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