Apesar de várias tentativas, até hoje não se conseguiu encontrar uma explicação para o porquê do aperto no coração e do “nervoso miudinho” que o adepto de futebol sente quando a sua equipa entra em campo. Ter um clube do coração é, ainda assim, salutar. Diria mesmo desejável..Como é sabido, podemos mudar de tudo, menos de clube. Ter um clube do coração não se explica. Não há uma racionalidade na escolha, nem se pretende que assim seja. O amor pelo clube é salutar e chega a ser - diga-se em abono da verdade! - terapêutico..Ao longo da vida, desde pequenos, aprendemos a conhecer a história do clube do coração! E também dos protagonistas, daqueles que idolatramos de algum modo: os jogadores. Admiramos a forma como tratam a bola, a magia que espalham pelo campo, o perfume de futebol que paira no ar quando desenham jogadas. E os golos, ah os golos! É isso que nos move..São os artistas. É o clube. As cores, os símbolos. A tradição que passa de geração em geração. Porque sim. Futebol é isto mesmo..Mas obviamente há aqueles para quem tudo é um negócio. Onde o vil metal é superior a tudo o resto. Compreende-se que com o evoluir dos tempos houve uma profissionalização do desporto. E bem..Sendo que, essa profissionalização não implica que as maiores estrelas dos clubes sejam os seus dirigentes (ou ex-dirigentes). Esse lugar está destinado aos artistas. E apesar de sabermos que alguns dirigentes (ou ex-dirigentes), têm essa característica (ou ambição), a verdade é que devem saber qual o seu lugar..Daí que seja com estranheza que se dedique tanto tempo aos afazeres e dizeres de dirigentes e ex-dirigentes – que nada de positivo e construtivo trazem - como aos encontros de uma jornada. Ainda, porventura, se algum dos envolvidos tivesse feito um apelo ao fair-play a uma mudança de mentalidades no plano futebolístico nacional, aí sim seria motivo de interessa..Mas, não. Apenas mais uns ajustes de contas entre uns e outros, seguramente importantes, mas que, salvo melhor opinião, não justificam de todo maior atenção que os ídolos da bola..Gerir, implica saber liderar. Liderar pela força do exemplo. Percebendo que os estádios se enchem semana após semana não para ver os dirigentes, mas para ver os jogadores. A importância dos dirigentes é muita. Mas o seu autocontrolo deve ser ainda maior. Afinal os dirigentes que falam para o espaço mediático são muitas vezes úteis para uma causa que não é a do seu clube: alimentam a sua própria vaidade. O ideal seria que com esse tempo de antena promoverem o clube e os atletas..O jogo a sério é dentro das quatro linhas. É aí que o queremos ver, de preferência bem jogado. Em suma, um pedido aos dirigentes – estejam eles no ativo ou na reforma - dos clubes de futebol: deixem-se de tretas e deixem jogar à bola.