O crescimento da cultura em Cascais

Nuno Piteira Lopes

Presidente da Câmara Municipal de Cascais e vice-presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses

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Um povo mantém e desenvolve a sua cultura à medida que o tempo vai passando e a sua comunidade persiste em sobreviver. Nos tempos em que vivemos, porém, é difícil arranjar o equilíbrio certo entre tradição e progresso – entre os modos de vida que se foram desenvolvendo num certo território ao longo de séculos e as exigências, sempre atuais, das novas descobertas científicas feitas pelos homens.

Porém, se o progresso económico é o que permite dar aos cidadãos mais condições materiais para o seu bem-estar pessoal, é da cultura que depende a sua integração na comunidade onde nasceram e cresceram, ou seja, o seu bem-estar social. Por isso, apostar na cultura é essencial para garantir que, geração após geração, os cidadãos se identificam uns com os outros – com a linguagem que usam, os modos de vida que partilham e os espaços que frequentam.

Em Cascais, este verão tem sido marcado por uma aposta muito diversificada neste setor. E, de Alcabideche a Cascais, passando pela Parede, são vários os exemplos que o mostram.

Em julho, a freguesia de Alcabideche abriu as portas da nova sede da Coleção de Arte Contemporânea do Estado (CACE). No seu acervo, esta coleção conta com mais de 3200 obras, distribuídas por vários locais ao longo do país. Neste novo espaço, localizado no concelho de Cascais, encontram-se cerca de 1300 obras, sendo que é possível ao público ver algumas e é dada aos investigadores, conservadores e restauradores a possibilidade de analisar a forma como estas obras estão a ser preservadas.

Julho também foi o mês em que Cascais recebeu o acervo do pintor Eduardo Plácido com o mesmo espírito que acolheu o novo centro da CACE. Depositado na Casa Reynaldo dos Santos, na Parede, por opção da sua família, este conjunto de obras passa agora a estar acessível ao público que as quiser apreciar. Mais do que isso, porém, este foi um enorme sinal de confiança dos cidadãos nas capacidades da Câmara Municipal de Cascais para conservar, estudar e investigar o legado artístico de um pintor que marcou a história da sua família e do nosso concelho.

Mas a cultura nunca se deixa ficar pelos quadros. Vai além deles e também chega aos palcos. Foi assim com a já conhecida competição do Cascais Ópera, em que o nosso concelho recebeu alguns dos melhores talentos mundiais do mundo operático. E é assim com o Festival Ageas Cooljazz, que se destaca não só pelos nomes dos artistas que traz a Portugal, mas pelas condições de acesso universal aos concertos e às atividades de lazer que oferece ao público, que lhe mereceu o reconhecimento de “Festival Acessível”. E vai ser assim com as Festas do Mar.

Esta é a cultura diversificada que Cascais oferece todos os anos aos seus munícipes e aos seus visitantes. Porque o essencial não é que uma comunidade sobreviva. É cumprir a missão de construir um concelho para toda a vida.

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