Não há relatório?! Como não há relatório?!

Isabel Mendes Lopes

Líder parlamentar do Livre

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Ontem ficámos a saber que o ministério não tem um relatório sobre como correu o teste-piloto do exame de Filosofia do ano passado… Como assim? O objetivo de um projeto-piloto é EXATAMENTE ter um relatório sobre o que correu bem, o que correu mal, aspetos a melhorar, riscos a ter em conta, aprendizagens, etc, etc. É para isso que os projetos-pilotos servem: para testar e avançar com mais confiança para o processo definitivo.

Como é que alguém decide avançar para todo um novo processo de classificação dos Exames Nacionais sem analisar ao pormenor o projeto-piloto de há um ano? Estamos a falar de quase 170.000 alunos e o sistema não pode falhar a nenhum deles. Quem planeia uma transição para a correção digital dos exames tem de ser absolutamente rigoroso – e até obsessivo – a garantir que o sistema é fiável e confiável. Mas não foi isso que aconteceu.

Pelos vistos, no que já tem sido hábito deste Governo em várias áreas, decidiu-se avançar sem uma análise de risco cuidada, sem um plano de contingência para o caso das coisas correrem mal, sem ter noção de todas as consequências de cada passo e sem a prudência de continuar a fazer o processo de digitalização de forma faseada e controlada.

A arrogância deste Governo substituiu, uma vez mais, a governação prudente e responsável. Mas desta vez as consequências são muito visíveis, muito chocantes e afetam muitas pessoas. E, mesmo depois de ser notória a enorme trapalhada e irresponsabilidade, o ministro, o Governo e o PSD continuam a fingir que tudo o que se está a passar é normal, que estes “percalços” são inevitáveis e até a lançar suspeitas sobre os professores ou sobre quem se indigna com tudo isto.

E o ministro até garante “que nenhum aluno será prejudicado”, quando milhares de alunos já foram prejudicados pela ansiedade, pela incerteza, por alterações de calendário, por não saberem, ainda hoje, se terão de fazer exames na segunda fase - quando esta já começou! Ou seja, temos aqui uma mistura extraordinária de incompetência, de alheamento da realidade e de uma enorme insensibilidade.

De um Governo que se apresenta como “reformista”, e que até tem todo um ministério dedicado à chamada “Reforma do Estado”, esperava-se, no mínimo, que fosse competente. De um primeiro-ministro que tomou posse a dizer que “Vamos simplificar processos, eliminar bloqueios e tornar o Estado mais eficiente, mais ágil, mais próximo das pessoas.”, esperava-se, no mínimo, que não transformasse em absoluto caos processos estabilizados há anos. E de um professor de Economia e Gestão – que também é ministro da Educação – esperar-se-ia, no mínimo, que aplicasse boas-práticas de gestão e que tivesse noção da realidade.

Este caos nos exames e no Ministério da Educação é, na verdade, apenas a ponta do iceberg do que o Governo de Luís Montenegro é. O drama é que vamos demorar muito tempo a refazer a Administração Pública, que está a ser desmantelada, e a recuperar a confiança no Estado.

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