A primeira vez que veículos aéreos não-tripulados foram usados num conflito foi em julho de 1849 quando as forças austríacas lançaram balões incendiários contra a cidade de Veneza, lembrava o History Channel em agosto passado. Vão longe os tempos desses bisavôs dos drones modernos, cujos descendentes, se não deixaram os cenários de guerra, entraram nas últimas décadas nas nossas vidas quotidianas, seja como “brinquedos” que muitos usam para fotografar ou filmar belas paisagens a partir do céu ou ao serviço de empresas de distribuição para entregar as encomendas sem precisar de mão de obra humana.Mas os drones continuam a ser armas de guerra. E se já nos tínhamos habituado a ouvir falar deles na Ucrânia, a guerra que começou com os ataques dos EUA e de Israel contra o Irão, mas que alastrou a todo o Médio Oriente até para além dele, voltou a dar lhes protagonismo. E um nome impôs-se: Shahed. Com 3,5 metros de comprimento, envergadura de asas de 2,5 metros e um alcance de cerca de dois mil quilómetros, estes drones de fabrico iraniano ganharam notoriedade ao serviço da Rússia na Ucrânia. De tal forma que os russos copiaram o projeto original para criar as suas cópias, os Gerbera, que usam em enxames coordenados para enganar as defesas aéreas de Kiev. .Drones Shahed: são lentos, são barulhentos, mas estão a causar muitos estragos no Golfo.O Shahed 136 distingue-se pelo seu relativamente baixo preço (sobretudo se comparado com o de um míssil balístico) e facilidade de produção, mas também pelo ruído e alguma lentidão, o que não o torna menos perigoso. Desde 28 de fevereiro, o Irão já recorreu a estes drones kamikazes para atacar bases militares, hotéis, aeroporto, embaixadas e consulados dos EUA, bem como infraestruturas petrolíferas e de gás em vários países do Golfo e não só. Mas não é só Teerão quem está a usar drones descartáveis neste conflito. Apenas seis meses depois de ter sido revelado pelo Pentágono, os EUA estrearam o LUCAS (a sigla para Low-Cost Uncrewed Combat Attack System) durante os ataques contra o Irão. Inspirado no Shahed, como o próprio Comando Central dos EUA anunciou, o LUCAS pode ser lançado de um camião ou de um navio e custa 35 mil dólares por unidades (mas o Pentágono espera reduzir para 5000 dólares cada), longe dos 20 a 40 milhões de um MQ‑9 Reaper, que é, no entanto, reutilizável e mais sofisticado.Como explicava à CNBC Patrycja Bazylczyk, analista do Projeto de Defesa Antimísseis do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais em Washington, estes drones “obrigam os adversários a desperdiçar intercetores caros em aparelhos de baixo custo, projetam poder e criam um fardo psicológico constante sobre as populações civis.” Os especialistas podem chamar-lhe “o míssil de cruzeiro dos pobres”, mas os drones ganharam, sem dúvida, o seu lugar nas guerras do presente e do futuro.