No vídeo do ataque a uma torre residencial no Bahrein é bem audível o barulho característico do drone Shahed antes de a atingir. O veículo não tripulado de fabrico iraniano ganhou notoriedade nos últimos anos ao serviço da Rússia na guerra da Ucrânia, mas nos últimos quatro dias tem sido a arma de eleição de Teerão nos ataques contra os países do Golfo, em retaliação contra os ataques lançados no sábado pelos EUA e por Israel contra o seu território. .Segundo o The Guardian, desde sábado de manhã que mais de mil drones - a maioria Shahed 136 - têm atingido as monarquias do Golfo, sobretudo as bases militares americanas que estes acolhem, mas não só. O Irão já teve como alvo os aeroportos destes Estados, uma refinaria saudita, as instalações da QatarEnergy, o maior produtor de gás natural liquefeito do mundo, ou a embaixada dos EUA em Riade. Com um alcance de cerca de dois mil quilómetros, o Shahed 136 distingue-se pelo seu relativamente baixo preço e facilidade de produção. Comparado com um míssil balístico, que custa milhões e que os analistas estimam que o Irão apenas tenha capacidade para produzir algumas dezenas por ano antes do início dos ataques israelitas e americanos, o Shahed é mais provável de ser um recurso para as autoridades iranianas na sua retaliação. Capazes de voar a baixas altitudes e de acordo com rotas complexas, os Shahed foram pensados para escapar aos radares. Os drones kamikazes [porque se despenham contra o seu alvo] Shahed são relativamente lentos e só conseguem transportar uma carga explosiva com 50 quilos. Mas independentemente do barulho e da grande dimensão, o mergulho final em direção ao alvo dos Shaed 136 tem provocado terror no Médio Oriente nestes dias. Do Bahrein ao Kuwait, passando pelos Emirados Árabes Unidos, foram vários os países do Golfo que o Irão atingiu com os seus Shahed 136, cujo barulho, grande dimensão e mergulho final em direção ao alvo tem provocado terror naquela região. Esse mergulho final é visível num outro vídeo, também do Bahrein, que mostra um aparelho a lançar-se contra o quartel-general da Quinta Frota da Marinha dos EUA, sediada em Manama, destruindo um radar. .Desenhados no Irão no final da década passada pela Shahed Aviation Industries, empresa que os EUA garantem estar ligada aos Guardas da Revolução, os drones Shahed 136 terão sido usados pela primeira vez em setembro de 2019, contra instalações petrolíferas sauditas. Mas foi o seu uso pela Rússia na guerra na Ucrânia, após a invasão de fevereiro de 2022, que lhes deu fama mundial. Inicialmente comprados pelos russos ao Irão, este viria a partilhar o projeto para permitir que a Rússia fabricasse grandes quantidades numa fábrica em Yelabuga, junto ao rio Volga. No caso dos russos, a estratégia tem passado por usar enxames coordenados de até 800 Shahed 136, drones Gerbera de aparência semelhante e um pequeno número de mísseis de cruzeiro e balísticos, num esforço para enganar as defesas aéreas de Kiev, de forma a que os mísseis mais mortíferos possam passar.Mas a maioria dos vídeos de ataques de Shaheds no Golfo mostram drones isolados que passaram pelas defesas aéreas, em vez de um enxame de ataque.Alguns drones iranianos voaram mesmo até uma base militar britânica em Chipre. A pista da base da Royal Air Force em Akrotiri foi atingida por um drone iraniano no domingo e as sirenes soaram novamente na segunda-feira, quando mais dois drones que se dirigiam para a base foram intercetados.Em declarações à AP, Patrick Bury, especialista em questões de Segurança na Universidade de Bath, lembrou que os drones transformaram as guerras, graças a uma combinação de "vigilância persistente e ataques de alta precisão". Quanto aos Shahed, o professor explicou que podem ser facilmente escondidos num camião, o que os torna fáceis de transportar, além das suas outras vantagens. .Trump ameaça cortar relações comerciais com Espanha, o aliado "terrível". Reino Unido envia navio para Chipre