Menos mortes na estrada, mas ainda longe da meta

Carlos Ferro

Editor-executivo do Diário de Notícias

Publicado a: 

A luta contra a sinistralidade rodoviária, um dos maiores problemas que Portugal enfrenta, recebeu esta semana duas notícias: uma boa e outra má.

A boa é que em 2025 o país conseguiu reduzir o número de vítimas mortais nas estradas – menos 6% do que no ano anterior e numa comparação com 2019 essa redução foi de 19%. E é aqui que termina a face positiva dos dados da Comissão Europeia.

Agora as notícias negativas. Segundo os números oficiais morreram nas estradas nacionais no ano passado 578 pessoas, o que corresponde a 51 por milhão de habitantes. Pior que Portugal só a Letónia (64 por milhão), a Croácia (65), a Roménia (68) e a Bulgária (71). Portanto, somos o quinto país com pior registo na Europa. Em contrapartida, do lado oposto estão a Suécia (19), a Dinamarca (24), a Estónia (31) e a Irlanda (33).

Também no conjunto da União Europeia houve uma redução da mortalidade rodoviária em 2025, com 19.350 vítimas mortais, menos 3% do que no ano anterior. Mas acrescenta que estes dados mostram que dificilmente será atingido o objetivo da União Europeia de reduzir para metade as mortes e feridos graves nas estradas até 2030.

Meta que para Portugal também é quase impossível de alcançar. A Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária - Visão Zero 2030 tinha como objetivo a redução de 50% do número de mortes e feridos graves nas estradas nacionais, tendo como referência o ano de 2019 – passar de 626 mortes para 313. Ora como em 2025 se registaram 578 mortes e este ano, até 27 de outubro – de acordo com os dados disponíveis no site da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária –, já morreram 409 (contra 366 do período homólogo), essa é uma meta que, perante a evolução dos últimos anos, parece cada vez mais distante para Portugal.

Porém, talvez seja possível mudar algumas situações. Por exemplo, serem as autoridades competentes mais rápidas a identificar zonas onde um maior número de acidentes ocorrem (os pontos negros), pois a informação oficial com dados e recomendações reporta-se a 2023.

Aguarda-se, igualmente, o novo Código da Estrada, com o qual o Governo prometeu reforçar a segurança e atualizar o quadro legal para, por exemplo, alargar os critérios para a cassação da Carta de Condução. Além de haver mais atenção aos comportamentos de risco (condução sob o efeito do álcool, excesso de velocidade e uso do telemóvel ao volante). E uma maior presença policial e da instalação de mais radares nas vias. Ou seja, ideias e anúncios de projetos temos. Agora só falta colocar em prática para que esta guerra nas estradas termine ou, pelo menos, diminua..

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