Lara Aleixo, Dimash e pastéis de nata em Astana

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"Dimash é uma estrela em Portugal” é o título da entrevista que Lara Aleixo deu à Kazinform, agência de notícias cazaque, em junho do ano passado. A jovem portuguesa nascida em Turquel, perto de Alcobaça, foi a convidada do último Dia de Portugal, no Cazaquistão, e nessa sua terceira passagem por terras cazaques voltou a confessar a sua paixão pela cultura daquele país, o seu povo e, claro, a sua maior estrela musical. Na minha primeira visita ao Cazaquistão, há dias, não faltaram logo referências à jovem cantora que pode não ter a fama de um Cristiano Ronaldo, mas muito está a fazer para dar a conhecer o nosso país naquela antiga república soviética. A paixão por este gigante da Ásia central é tal que Lara Aleixo está a aprender a língua, já cantou o hino nacional cazaque e esteve há dias de novo no país para apresentar a sua primeira canção original em cazaque - Tolkidi Teniz. Mas o motor de tudo foi Dimash Qudaibergen. “Apaixonei-me pela voz dele, e por isso comecei a cantar em cazaque as canções do Dimash; agora continuo a cantar e, cada vez que venho aqui, fico cada vez melhor”, dizia a portuguesa na mesma entrevista.

Lara Aleixo também gravou um dueto com Kazybek Kuraiysh, estrela pop cazaque que, no seu país, não só arrasta multidões, como os seus vídeos no YouTube conseguem milhões de visualizações. O dueto com Lara Aleixo, que em 2024 o Jornal de Leiria destacava estar perto do milhão de visualizações, já vai neste momento bem perto dos oito milhões. E se dúvidas houvesse sobre a popularidade da cantora por terras cazaques, basta espreitar as redes sociais da Embaixada de Portugal em Astana para perceber que um post sobre Lara Aleixo vale muitos likes.

Quem continuar a fazer scroll pela conta de Instagram da embaixada descobre ainda que em Astana também se podem encontrar os famosos pastéis de nata portuguesas. Uma informação confirmada por uma fotografia do embaixador com uma caixa dos próprios na mão, numa visita à pastelaria Paris-Brest.

Nono maior país do mundo, o Cazaquistão é tão central naquela Ásia Central - o que no passado era sinónimo de remoto -, que mesmo os portugueses que chegaram por mar à China e ao Japão e cujos jesuítas andaram pelo Tibete ou Butão não há notícia de terem chegado ali. Isso não impede que quando hoje dizemos a um cazaque virmos de Portugal não sejamos recebidos com um clássico “Ah, Ronaldo!” ou o menos óbvio “Lara Aleixo”.

Por cá, o conhecimento sobre o Cazaquistão também pode não ser proporcional à dimensão daquele gigante, entalado entre a China e a Rússia (mas próximo também de EUA e União Europeia), mas os amantes de futebol talvez reconheçam no Kairat Almaty um dos adversários do Sporting na Liga dos Campeões.

Música e futebol, dois bons motivos para aprendermos mais uns sobre os outros, apesar dos mais de seis mil quilómetros que separam Lisboa de Astana.

Editora-executiva do Diário de Notícias

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