Há poucos dias, numa sondagem sobre a situação na Educação (Correio da Manhã, 20 de Setembro), quase 60% dos inquiridos considerava que os problemas na classificação dos exames do Secundário não estavam completamente resolvidos e mais de 53% considerava o ministro da Educação sem competência para gerir o próximo ano lectivo (contra 34% que o consideram competente).
No entanto, 47,6% consideram que o primeiro-ministro não deve demitir Fernando Alexandre (contra 37% que apoiam essa medida), mantendo-o no cargo apesar de o acharem incompetente e indirectamente responsável pelo evidente caos na classificação digital dos exames do Secundário. Estes resultados poderiam parecer contraditórios, quiçá paradoxais, em situação e tempos de normalidade antiga, mas nestes tempos são perfeitamente naturais e passo a explicar com uma dose apenas qb de sarcasmo.
Atendendo a tudo o que temos conhecido nas últimas décadas em matéria de governação, em Educação, mas não só, parece que mais vale manter alguém incompetente e pouco digno de confiança do que arriscar algo pior. É triste, mas é uma realidade que deve ser tida em conta. Quantas vezes já se pensou ter atingido o último patamar do disparate e do descrédito para se perceber que podemos sempre descer um pouco (ou muito) mais. Quem não se lembra do que se pensou nos tempos das “santanices” que atire a primeira pedra.
Observando o pessoal político disponível na área da Educação na actual situação governativa, Fernando Alexandre parece, apesar de tudo, ser apenas incompetente e pouco confiável, enquanto o resto ou não existe ou dá a sensação de ser ainda pior. Não sei se discordo desta perspectiva pessimista, por muito que isso me incomode. Gostaria que assim não fosse, mas as alternativas apenas parecem garantir mais do mesmo ou o acentuar de uma tendência lamentável para uma (voluntária?) mediocridade ao nível da definição de políticas públicas para a Educação.
Mas estas não são boas notícias para a Oposição do lado mais canhoto do espectro político, porque os resultados do PISA 2025 demonstraram, por muito que os tentem contextualizar, relativizar ou menorizar, a completa falência de um modelo educativo baseado numa retórica de boas intenções que conduziu a um inferno no quotidiano escolar. De que as maiores vítimas foram aqueles que se dizia querer defender: os alunos, em particular os mais desfavorecidos para quem – alegadamente – foram delineadas medidas “inclusivas” que apenas procuraram mascarar políticas sociais desastrosas. Olhando para o passado recente, percebe-se que se o modelo actual não é de confiança e os protagonistas de evidente incompetência, o modelo anterior era mau e os seus actores apenas um pouco mais polidos na linguagem e na enunciação de prioridades.
Os resultados da sondagem parecem em linha com aquela lógica que leva à reeleição de autarcas que, num passado recente, se demonstrou, juridicamente ou não, terem uma noção muito fluída da legalidade. Nesses casos, o lugar-comum é que podem não ser muito honestos, mas fazem obra. No caso da Educação, a rationale parece ser… este é incompetente, mas quem nos garante que quem vem a seguir é melhor?